São Paulo, 08 (AE) - A primeira sessão do Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo, destinada a ouvir testemunhas do suposto envolvimento do deputado Hanna Gharib (sem partido) no esquema de propinas dos fiscais de São Paulo não passou de um debate jurídico. Nenhuma das testemunhas convocadas pelo Conselho foi ouvida. O promotor público José Carlos Blat compareceu à reunião mas foi impedido de falar, e o ambulante Gilberto Monteiro da Silva continua desaparecido.
Blat não pode ser ouvido pelos deputados do Conselho porque a defesa pediu a "dispensa" de seu depoimento. O advogado de Gharib, Alberto Rollo, argumentou que a lei não permite que o promotor público que participe da apuração no inquérito seja ouvido na Assembléia. O processo pode concluir pela cassação do mandato parlamentar de Gharib, que não foi à sessão.
"A estratégia da defesa é que nunca se discuta realmente o mérito, mas apenas o formalismo da questão", denunciou o relator do processo no Conselho, deputado Elói Pietá (PT). Ele não quer correr o risco de "atropelar" etapas e ver as decisões do Conselho revogadas mais tarde pelo Tribunal de Justiça (TJ) - a discussão jurídica sobre o prazo de defesa de Gharib foi decidida pelo TJ, contrariando a versão da Procuradoria da Assembléia.
Para amanhã estão previstos os depoimentos de Afonso José da Silva e Hamurabi Pereira de Oliveira, que esteve hoje na Assembléia acompanhado por Reinaldo Ferreira Santana - convocado pela defesa para o dia 18 de junho. Santana garantiu que vai depor contra o ex-vereador do PPB. "Todo mundo sabe que o Gharib é ladrão", acusou, afirmando conseguir "quantas testemunhas quiserem" para confirmar sua denúncia.
O clima no final da sessão era de decepção e revola. Alguns deputados acusaram o Conselho de "amadorismo". "Como é que ninguém sabia que o Blat não poderia depor?", indgnava-se um deputado. "Eu sabia que só poderia esclarecer ao Conselho sobre o andamento das investigações, sem dar opinião", disse Blat. "Meia calabresa e meia portuguesa", ironizou um parlamentar, que afirmou que a sessão de hoje foi um indício de que o mandato de Gharib não será cassado.

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