Primeira prévia do IGPM aponta queda de preços de 0,05%
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 10 (AE) - O mês de maio deve registrar deflação. A primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), da Fundação Getúlio Vargas, que mediu o comportamento da inflação de 21 a 30 de abril, registrou taxa negativa de 0,05%. Este é o primeiro registro de índice negativo desde novembro do ano passado. Este ano, a inflação alcançou seu pico em fevereiro por causa do impacto da desvalorização do real, com 4,44%.
Para o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney de Mello Cota, a volta aos patamares de inflação zero foi muito rápida, o que indica que o País está passando por um período de recessão. A princípio, os técnicos esperavam esta recuperação apenas a partir do segundo semestre, e de uma forma mais gradual. Mas, depois do pico de fevereiro, a inflação caiu a menos da metade em março (1,98%), ficou perto de zero em abril (o índice será divulgado amanhã pela FGV) e deve ser negativo na conta total de maio.
A FGV faz duas prévias do IGPM antes de calcular o índice cheio. Cota lembra que as taxas das prévias não podem ser usadas como projeção, já que o comportamento dos preços não é constante durante todo o mês. De qualquer maneira, comparando com as primeiras prévias feitas para abril (0,56%) e março (1 93%), este primeiro índice de maio corresponde a um intenso mergulho dos preços.
"Podemos atribuir esta deflação a motivos básicos: a boa performance do setor agrícola e a recessão", comenta Cota. O bom desempenho agrícola deve-se à conjunção de diversos fatores: o aumento da safra de cereais e grãos, ao fator sazonal
à queda do dólar e a queda das commodities. "Isso conjugado fez com que os produtos agrícolas do Índice de Preços por Atacado (IPA) tivessem queda." O IGPM é composto prioritariamente pelo IPA, que tem peso de 60% em sua formação e registro, na primeira prévia, -0,32%. Também compõem o índice de inflação o Índice de Preços ao Consumidor, que registrou 0,33%, e o Índice Nacional de Custo da Construção, que apurou 0,22%.


