Rio, 08 (AE) - A primeira prévia de fevereiro do índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou alta de 0,74%, com ligeira elevação ante a primeira prévia de janeiro (0,61%), segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), e já reflete a desvalorização do real. O Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do IGP-M, foi o indicador a captar o encarecimento dos produtos importados ou com componentes adquiridos fora do País.
Este índice saltou de 0,74% na primeira do mês passado para 1,10% agora, por conta, principalmente, do aumento médio de 1,35% nos produtos industrializados. A pesquisa foi feita de 21 a 31 de janeiro, portanto após a mudança do regime cambial.
Segundo o gerente da área de Índices Gerais de Preços da FGV, Elivaldo Pereira Conceição, neste segmento as maiores elevações ocorreram de fato nos produtos importados, total ou parcialmente. Estão neste caso o enxofre em bruto, que subiu 20% em média; o minério de cobre, com 35,75%; inseticidas importados
15,28%; herbicidas, 15,93%; cloreto de potássio, 14,51% e vergalhões de cobre,14,70%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP-M, caiu, ao baixar de 0,69% na primeira prévia de janeiro para 0,29% na primeira de fevereiro. Isso ocorreu, segundo Elivaldo Conceição, basicamente por influência do grupo alimentação, que apresentou deflação de 0,33% ante uma alta de preços de 1,42% na primeira prévia do mês passado.
Um preço que teve influência importante no varejo foi o de automóveis usados, que recuou 5,16%. O Índice Naciopnal de Custo da Construção (INCC) passou de variação negativa de 0,08% para 0,29%.
Elivaldo Conceição assegura que a inflação medida pela FGV, que expressa principalmente a variação dos preços no atacado, já que seu peso é de 60% na taxa final dos indicadores, continuará confiável. Ele explicou que a entidade interroga fabricantes de 477 produtos sobre os preços que estão cobrando, para apurar o IPA.
Quando o governo congelava preços, admite, era comum ocorrerem distorções, pois as indústrias tendiam a informar os preços de tabela e não os efetivamente exigidos da sua clientela. Agora, no entender dele, isso não ocorrerá.
Em primeiro lugar, lembrou, não há tabelamento, e, em segundo, a FGV, ao longo dos congelamentos, foi se tornando mais experiente e agora consegue checar a veracidade das respostas, buscando confirmação com concorrrentes e compradores.
Ele acredita que o impacto da desvalorização do real sobre os preços ao consumidor não ocorrerá já, pois a queda de braços entre indústria e comércio será mais dura do que no passado. "Todos temem não vender", frisou.
Como hoje há muito mais concorrência na economia brasileira, deixar de vender a um supermercado e não ter o seu produto nas gôndolas pode abrir espaço para um concorrente. Justamente por isso, Elivaldo Conceição prevê que o repasse do aumento de custos para os preços demorará mais do que em outras ocasiões em que indústria e comércio tiveram de negociar.
Ele destacou também que o repasse ocorrerá uma única vez
a não ser que haja uma reindexação geral de preços no Brasil. No momento em que houver uma estabilização no valor do dólar, a mudança cambial deixará de ter efeito expressivo sobre os preços e refletirá apenas pequenas variações que não possam ser absorvidas pelos fabricantes, disse ele.

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