Londrina – A primeira audiência do esquema de exploração sexual desmontado em janeiro pelo Gaeco teve início ontem às 14 horas na 16ª Vara Criminal de Londrina, mas foi suspensa a pedido do Ministério Público (MP). Uma nova testemunha de acusação arrolada no processo, um ex-policial do Gaeco, deverá ser ouvida amanhã. Os réus no primeiro inquérito, o ex-auditor Luiz Antônio de Souza, preso em janeiro com a vítima, uma garota de 15 anos em um motel da cidade; e Carla de Jesus, jovem de 19 anos que aliciava a irmã adolescente, só serão ouvidos no dia 1º de junho.
De acordo com a promotora Susana Lacerda, a necessidade de arrolar mais uma testemunha ao processo para reforçar a acusação se deu diante da estratégia adotada pela defesa dos réus de tentar desqualificar as prisões em flagrante. A testemunha é o capitão da Polícia Militar Rangel Calixto Peijo, que não faz mais parte do quadro do Gaeco. Ele será ouvido hoje por carta precatória no Fórum de Jandaia do Sul (Vale do Ivaí). O policial participou das prisões do auditor e da jovem no motel.
Dezoito testemunhas chegaram a comparecer ao fórum, mas a maioria foi dispensada pelos advogados de defesa. Foram ouvidos na audiência a vítima, os pais da garota, e um policial do Gaeco. A promotora explicou que os réus só podem ser ouvidos depois das testemunhas. "Os réus são ouvidos no final, pois têm o direito de argumentar após toda prova ser produzida", detalhou. Carla de Jesus foi uma das primeiras a chegar ao fórum. Acompanhada do advogado, ela cobriu o rosto com uma blusa. Souza chegou logo em seguida, algemado e conduzido por dois policiais militares.

CONFIANÇA
Já Eduardo Duarte Ferreira, advogado de Luiz Antônio, foi mais incisivo na defesa. Ele tenta anular a prisão em flagrante, pois considera que a prisão se originou de uma escuta telefônica de outra investigação, da Operação Publicano, que encontrou desvios na Receita Estadual em Londrina. "Alguns esclarecimentos que a defesa vinha colocando desde o começo começaram a surtir efeito. Algumas verdades processuais começam a surgir. Tínhamos uma tese que a prisão em flagrante é altamente nula derivada de uma escuta telefônica que ocorreu em outro processo", argumentou.

OITAVO INQUÉRITO
Suzana lembrou que nesta segunda-feira conclui o oitavo inquérito do caso de exploração sexual em que Souza está envolvido, inclusive com casos de estupro de vulnerável. Ela ressaltou que não houve nenhuma ilegalidade na prisão do ex-auditor. "Ele já estava sendo investigado e toda a situação veio à tona. A escuta telefônica estava autorizada pela justiça. Não tem nenhuma ilegalidade".
Dos 16 envolvidos nos quase 20 inquéritos abertos pelo Gaeco estão auditores da receita, policiais, políticos e um ex-assessor do governo estadual. Alguns permanecem presos e outros respondem em liberdade. Os últimos a deixar a prisão foram os ex-vereadores Alvair de Souza, por ter mais de 60 anos, e Zaqueu Berbel, que alegou problemas de saúde. Eles cumprem prisão domiciliar.

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