Segundo o Instituto Tecnológico Simepar, o excesso de chuvas tem relação direta com o El Niño mais forte dos últimos vinte anos. Os meteorologistas explicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico torna a primavera, uma estação tradicionalmente chuvosa, ainda mais intensa. As regiões Norte e Noroeste do Estado foram as que receberam o maior volume de água em novembro. O total acumulado foi de 428 mm, três vezes acima do esperado, que era de 142 mm. No Oeste, choveu 334 mm, duas vezes mais que o esperado. Todas as regiões tiveram chuva acima do previsto. Até mesmo no Litoral, que costuma registrar mais chuvas em novembro, o volume acumulado foi de 291 mm, 48% acima da média para o período.
Apesar de o mês de novembro ter concentrado 22 pedidos de situação de emergência, o mês mais crítico do ano foi julho, em que 38 municípios acionaram a Defesa Civil por conta das chuvas. De 1º de janeiro a 30 de novembro, 338 mil pessoas foram afetadas por conta dos desastres naturais. Neste período, 72 cidades decretaram situação de emergência. Contudo, no mesmo período do ano passado, o número foi bem maior. No total, 1,2 milhão de pessoas sofreram com as tempestades de 2014. "Este ano temos chuvas mais concentradas, enquanto no ano passado choveu de forma mais espaçada", comenta o capitão da Defesa Civil Estadual, Romeu Tadashi Yagui.
Os decretos de situação de emergência por conta das chuvas intensas foram maiores em 2013 e 2014, com 166 e 189 casos respectivamente. Já em 2012, com 168 casos, o problema foi a estiagem. Segundo Yagui, apesar de algumas regiões do Estado estarem mais sujeitas a fenômenos climáticos de maior potencial ofensivo, como os tornados recorrentes do Oeste e Sudoeste, o treinamento da Defesa Civil é o mesmo em todo o Paraná. "Trabalhamos com os planos de contingência, com treinamentos e simulações em todas as regiões do Estado. Estamos preparados para agir em qualquer tipo de tragédia que possa nos assolar", garante o capitão.

DEZEMBRO

Os desastres naturais continuam a provocar estragos e a fazer vítimas. Na madrugada da última quinta-feira, Duas idosas morreram durante a chuva que atingiu Manfrinópolis (Sudoeste). A primeira vítima foi encontrada perto de casa assim que a água baixou. A segunda, de 78 anos, foi arrastada pela força das águas. Depois de mais de 24 horas de buscas, o corpo foi encontrado no final da tarde de sexta, à margem do Rio Encantilado. De acordo com a Defesa Civil, 152 pessoas foram afetadas em Manfrinópolis. Destas, 100 estão desabrigadas, e 50, desalojadas. Nos municípios ao redor, o estrago foi menor. Bom Jesus do Sul registrou 28 pessoas desalojadas, e Marmeleiro, 20.
Os efeitos do El Niño devem se estender até o final do verão. "Nós já havíamos previsto que a primavera iria apresentar chuvas acima da média, e esta condição se estende pelo verão, que é o período mais chuvoso do ano", explica a meteorologista do Simepar Sheila Paz. "A previsão para a próxima estação é de picos de calor antes da chuva e de poucos dias contínuos de sol. As chuvas acima da média merecem atenção principalmente nos locais mais vulneráveis", destaca (C.F.)

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