Primavera é inimiga dos alérgicos
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de outubro de 2005
Margarete Rapussi<br>Agência Estado 
São Paulo - A chegada da primavera representa uma fase de renovação do ciclo de vida para gramados, árvores e flores. O resultado é que o ar, mesmo que não se perceba, fica sobrecarregado de grãos de pólens, substância altamente alergênica. O colorido singular e a diversidade de perfume das flores, ao mesmo tempo em que enfeitam ambientes e acentuam gestos românticos, podem representar grande transtorno para uma boa parcela da população. São pessoas alérgicas ao pólen das flores. Os sintomas da doença são acentuados ainda mais nesta época do ano, com o desabrochar de rosas, gérberas, margaridas, lírios, angélicas etc.
Espirros, nariz entupido, olhos vermelhos e lacrimejantes são os principais sintomas desencadeados por fatores alergênicos. Tosse e falta de ar também estão relacionados às reações alérgicas. Num estágio mais grave, a pessoa também pode sofrer com urticárias, erupções, coceiras no corpo, inchaço e, em alguns casos, dor de estômago e diarréia.
Para uma pequena porcentagem de pessoas, porém, os sinais alérgicos podem manifestar-se de forma tão severa a ponto de colocá-las em risco de vida. Nesses casos, as vias respiratórias se contraem, dificultando a respiração. Isso pode provocar queda de pressão, causando tonturas e até desmaios. O socorro médico deve ser imediato. Normalmente, este tipo de reação está geralmente associado a alergias a alimentos, medicamentos e picadas de insetos.
Diante de sintoma sem motivo aparente, é importante consultar um alergologista. Só um especialista está abalizado para identificar a causa do problema e indicar o tratamento correto para cada caso. A médica alergologista e imunologista Maria do Carmo da Costa Aguiar Toschi, do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, explica que o pólen levado pelo vento é um importante agente causador de rinites alérgicas. Ela revela ainda que no Brasil, há algumas décadas, a incidência do mal não costumava ser tão acentuada. ''Nossas plantas têm folhas grandes e pesadas, o que faz com que o pólen não fique no ar, mas acabe caindo no chão.''
Entretanto, há cerca de 20, 30 anos, quando o País passou a importar plantas, aconteceu um aumento significativo nos registros de polinose, observa a especialista. Polinose, diz, é a alergia ao pólen de plantas originárias de países do Hemisfério Norte e até de vizinhos, como a Argentina.


