Primavera começa amanhã às 8h31 com céu nublado
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Denise Góes 
São Paulo, 22 (AE) - A primavera, que chega amanhã (23), às 8h31, deve começar com céu nublado e chuviscos em São Paulo. Uma frente fria que passou pelo litoral paulista atinge o litoral da Bahia, mas ainda joga umidade para o continente e forma nuvens carregadas na faixa leste do Estado.
Mas essa previsão tem tudo a ver com a chegada da nova estação. Uma época de transição entre o inverno e o verão, a primavera marca o início da estação chuvosa no centro-sul do Brasil. Em São Paulo, o índice de chuvas sobe de 70 milímetros em setembro para 195 milímetros em dezembro. De acordo com o boletim de informações climáticas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba (SP)
as chuvas acontecem por causa da passagem mais frequente das frentes frias e do aquecimento durante o dia que provoca pancadas, principalmente à tarde.
O meteorologista da empresa Climatempo Carlos Magno do Nascimento resume a primavera como uma estação de "dias de sol e pancadas de chuva à tarde, como no verão, e possibilidade de ondas de frio causadas por massas de ar polar mais intensas que ainda podem ocorrer com certa frequencia".
Outra mudança importante que, teoricamente, caracteriza a nova estação é a elevação gradual das temperaturas. Até 1998, era na primavera que costumavam ser registradas as tardes mais quentes do ano na cidade, e o recorde absoluto de calor durante muito tempo foi de 35,3 graus em 15 de novembro de 1985. Esse dado perdeu a validade este ano, durante o verão, quando ocorreu a temperatura mais alta na capital: 37 graus em 20 de janeiro.
Para este ano, o Cptec aponta uma tendência de chuvas "entre normais a ligeiramente abaixo da média em São Paulo" e temperaturas próximas aos valores médios normais. Contudo, o instituto alerta que, em toda a Região Sudeste, os fenômenos meteorológicos variam muito, o que dificulta a previsão.
Já para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a presença do fenômeno climático La Niña, resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico, que ainda deve estar atuante pelo menos até o início de 2000, deve influenciar a primavera brasileira, com possibilidade de períodos muito chuvosos no Sudeste.
A meteorologista de empresa Climatempo Ana Lúcia de Macedo não acredita na influência de La Niña. Para a meteorologista, a primavera deve ser normal, "dentro das característcas comuns à estação".
O inverno deste ano apresentou algumas variações em relação aos anteriores. Segundo levantamento feito pelo metorologista do Inmet Willians Bini Silva, julho e agosto na capital apresentaram índices de chuva abaixo da média, mesmo para uma época normalmente seca.
Em agosto, por exemplo, choveu apenas 1,4 milímetro, quando o normal é chegar a 40 milímetros durante o mês. Foram mais de 60 dias sem chuvas na capital.
Por outro lado, em julho, a temperatura média ficou acima da média: de 15,6 graus de média normal para 17,3 este ano. Enquanto isso, agosto foi um mês de contrastes, com dias de muito calor, com a temperatura chegando a 30 graus e recorde de frio, com a entrada de uma massa de ar polar, a mais intensa dos últimos anos, que fez as temperaturas despencarem, chegando a 5 4 graus em 15 e 16 de agosto.
Por fim, outro dado que marcou o inverno de São Paulo foi o índice de umidade relativa do ar. O ar seco marcou principalmente agosto. A média da umidade relativa do ar neste mês ficou em 65%, quando o normal é 74%. Durante praticamente todo o mês, foram registrados índices de umidade entre 15% e 20%
indicando dias muito secos.


