Santiago, 24 (AE-IPS) - As primárias da coalizão que governa o Chile serão realizadas no próximo domingo. A escolha do futuro candidato presidencial está entre o socialista Ricardo Lagos e o democrata-cristão Andrés Zaldívar. O primeiro é favorito nas pesquisas e disse, hoje, que a oficialista Coalizão dos Partidos da Democracia (CPD) sairá "fortalecida e unida em torno de um candidato somente" para as eleições presidenciais de 12 de dezembro.
Lagos, representante do Partido Socialista (PS), Partido pela Democracia (PPD) e Partido Radical Social-democrata (PRSD) descarta, desta forma, que a aliança que governa o Chile desde a volta da democracia, em março de 1990, possa se quebrar. Zaldívar, adversário de Lagos e atual presidente do Senado, tem o apoio do seu Partido Democrata Cristão (PDC), o maior da coalizão de centro-esquerda, além de uma fração minoritária do PRSD.
Segundo Lagos, doutor em Economia, devem participar das primárias um milhão de eleitores. "Esta eleição não tem similar em toda a história política do Chile". Para ele, que foi ministro da Educação no governo de Patricio Aylwin (1990- 1994) e de Obras Públicas na atual administração de Eduardo Frei, "será uma eleição com grande espírito cívico".
Alguns dirigentes da linha dura do PDC centram a campanha de Zaldívar em comparar Lagos ao presidente socialista Salvador Allende (1970-1973). Zaldívar, ex-ministro de Eduardo Frei Montalva (1964- 1970, pai do atual presidente) e ex-presidente da Internacional Democracia Cristã, aparece em recente pesquisa do Centro de Estudos Públicos com 12% das intenções de voto nessas primárias. Se as eleições fossem hoje, Lagos receberia 36,3%, superando o candidato da oposição direitista Joaquín Lavín, que tem 24,4% de apoio dos eleitores.
Se o quadro permanecer como está, seis candidatos devem concorrer nas eleições para presidente no final do ano. Lavín, prefeito do município de Las Condes, tem apoio de seu partido, a União Democrata Independente (UDI) e do Partido de Renovação Nacional (PRN), pilares do pacto direitista União pelo Chile. Devem concorrer ainda ao governo Gladys Marín, do Partido Comunista (PC), Tomás Hirsch, do Partido Humanista (PH), Arturo Frei Bolívar, dissidente do PDC e a ecologista Sara Larraín.
A ecologista Sara tem o apoio do Partido Alternativa de Mudança, grupo político ainda em formação, além de grupos ambientalistas, indígenas e minorias sexuais. Analistas dizem que o sucessor de Frei sairá do trio Lagos, Zaldívar e Lavín.

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