Washington, 21 (AE) - Para o senador John McCain, as primárias de amanhã (22), no Michigan e em seu estado natal de Arizona são provavelmente a última chance para reacender a rebelião que iniciou em New Hampshire contra o establishment do Partido Republicano e provar a viabilidade de sua candidatura à presidência.
A vitória do governador do Texas, George W.Bush sobre McCain por 11 pontos de diferença nas primárias do último sábado, na Carolina do Sul, restabeleceu o favoritismo do líder texano e reafirmou o poder da máquina do partido de controlar o processo de seleção do candidato conservador à Casa Branca.
O mesmo é verdade entre os democratas. O vice-presidente Albert Gore, que é candidato da máquina partidária, consolidou sua posição com vitórias nas duas prévias inaugurais de Iowa e New Hampshire frente a seu único desafiante, o ex-senador Bill Bradley. Gore e Bradley tinham mais um debate televisionado marcado para hoje à noite. Mas a percepção de que a disputa entre os democratas já acabou é tão forte que a maior dúvida, entre analistas, é se o debate atrairia uma audiência significativa.
A briga entre os republicanos parece caminhar para um rápido desfecho.
De acordo com as últimas pesquisas, McCain deve ganhar no Arizona. Mas isso só contará a seu favor se ele surpreender Bush também no Michigan, um estado rico e politicamente importante do Meio-Oeste. Ali, as sondagens feitas antes das primárias da Carolina do Sul, no sábado, são menos claras. Elas indicavam um empate técnico, com a vantagem de McCain sobre Bush dentro da margem de erro das pesquisas e com tendência a reduzir-se em relação a dados apurados uma semana antes.
Embora as primárias de Michigan sejam abertas, o que permite que independentes e até democratas registrem-se na última hora para votar para McCain, há outros fatores que operam contra o senador. O mais importante chama-se John Engler, o popular governador republicano do estado, que apóia Bush. Mirando mais à frente, se McCain não conseguir reavivar o fenômeno eleitoral em que se transformou, o caixa de sua campanha secará rapidamente e ele terá dificuldades para continuar no páreo muito além de 7 de março, quando os candidatos disputarão votos em mais de uma dúzia de estados.
Visivelmente contrariado com a capacidade que Bush demonstrou de roubar-lhe o manto de republicano reformista, McCain abandonou seu compromisso de fazer uma campanha sem ataques pessoais e subiu de tom, seja em seus discursos, seja nas conversas com os jornalistas que o acompanham no ônibus de sua campanha. Bush é "uma fraude e uma piada", disse ele, referindo-se à proposta de reforma das leis de financiamento das campanhas eleitorais - uma das bandeiras de McCain - que apresentou apenas alguns dias antes da votação na Carolina do Sul. "Se o governador Bush é um reformista, eu sou um astronauta", afirmou o senador. Ele também acusou Bush de ser um gastador desenfreado de dinheiro público, que aumentou as despesas do orçamento estadual em 36% - "mais do que Bill Clinton" - desde que assumiu o governo em Austin, em 1994.
Novamente confiante e sorridente, Bush procurou ignorar os ataques de seu rival hoje e já age como candidato de seu partido, dirigindo suas energias contra Gore. Assessores de Bradley acreditam que o declínio de McCain possa favorecer seu candidato, que ficou até agora eclipsado pelo senador do Arizona. Os estrategistas da campanha de Gore também se mostram satisfeitos com a perda de altitude de McCain, pois o consideram um concorrente potencialmente mais difícil do que Bush, nas eleições de 7 de novembro.

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