O número de caminhões parados no trevo de Cambé (PR-445 com BR-369), ponto de concentração dos grevistas na região, foi pequeno ontem à tarde. Os manifestantes estavam revoltados e não aceitaram conversar com a imprensa. A equipe de reportagem da Folha foi ameaçada com pedras, uma delas foi atirada contra o carro, mas sem nenhum dano material.
No final da tarde, segundo informações do comando da Polícia Rodoviária, todos os veículos foram obrigados a se retirar do local. A proibição, segundo o capitão Washington Rosa, ocorreu pela falta de colaboração dos grevistas. Ao contrário do que haviam combinado com a polícia, os grevistas estavam usando de violência contra os motoristas que não aderiam ao movimento.
Anteontem à noite o motorista Manoel Luis Bertoli, foi preso após disparar seis tiros na tentativa de romper o bloqueio da greve na PR-445, em frente ao Posto Portelão, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Bertoli foi levado para a Polícia Federal e liberado após pagamento de fiança. Segundo informações do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, uma determinação do Ministério da Justiça repassou à Polícia Federal a responsabilidade por todos os incidentes ocorridos durante a greve.
O comandante da Polícia Rodoviária informou ainda que o pool de combustíveis, a Econorte (concessionária do Lote 1 do Anel de Integração, responsável pela rodovia) e a direção da Ceasa, emitiram documentos judiciais contra o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Carlos Roberto Della Rosa. Caso ocorram novas ações impedindo o trabalho das empresas, o sindicato terá que pagar uma multa de R$ 6.000,00 por hora.
Em Pitanga, o movimento se concentra em um posto de gasolina da rodovia BR-466, km 176 e desde anteontem os manifestantes estão apedrejando os caminhões que passam pelo local. Os motoristas que não aderiram à greve só conseguem trafegar naquele trecho escoltados por viaturas das polícias militar e rodoviária. (Silvana Leão e Célia Guerra, de Londrina)

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