São Paulo, 27 (AE) - O diretor-técnico do Departamento Intersindical e Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sérgio Mendonça, disse hoje que a meta do governo de atingir taxas de desemprego de até 2% no ano 2000 é muito difícil. Ele comentou que a previsão foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, durante reunião com diretores do Dieese.
Segundo Mendonça, se a taxa de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) subir 5% nos próximos cinco anos, o índice de desemprego pode recuar dos 20,3% registrado pelo Dieese em abril para algo em torno de 12% a 13%.
A projeção do Dieese para este ano é de que o desemprego se mantenha em torno de 20%. Mendonça fez a previsão baseado numa taxa de crescimento zero do PIB em 99. Segundo ele, as atuais taxas de desemprego só vão se confirmar se o País não for contaminado numa crise externa, como as da Argentina e dos Estados Unidos, que vêm ameaçando os países emergentes.
Dornelles disse que não haverá mudança na lei trabalhista sem que haja consenso entre empregados e empregadores. O ministro afirmou que quer discutir com os sindicatos o artigo 7º do capítulo 2 da Constituição, que trata dos direitos dos trabalhadores. Segundo ele, os sindicatos têm de ter poder de negociação. "Hoje em dia, o negociado é mais importante que o legislado", disse o ministro.
Dornelles reuniu-se na sede do Dieese com diretores da entidade e representantes de centrais sindicais como a Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT-B), Social Democracia Sindical (SDS) e Central Autonôma dos Trabalhadores (CAT).
O ministro discute com representantes da CUT mudanças na lei trabalhista e pediu o apoio da central ao Programa de Qualificação Profissional que deve ser adotado pelo governo.

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