Previsão de menos chuva no outono pode prejudicar safrinha17/Mar, 17:58 Por Gecy Belmonte Brasília, 17 (AE) - O outono no Hemisfério Sul, que começa no próximo dia 20 deste mês, será caracterizado por uma redução das chuvas em todo o País, especialmente na região Sul, que terá as precipitações reduzidas em cerca de 25%, segundo informou hoje o chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Expedito Rebello. Além da redução das chuvas, a previsão é de que as temperaturas também se reduzam em todas as regiões do País, com incidência de geadas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. No Sul há a possibilidade de ocorrência de neve nas regiões serranas e planalto do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O fenômeno La Niña, ativo desde junho de 1998, deverá acabar em maio próximo. Em contrapartida, Expedito Rebello informou que o "El Niño", que antecedeu a El Niña e provocou enormes danos em diversos pontos do Páis, poderá retornar em novembro deste ano. "Esta é uma análise preliminar, mas temos indícios de que o El Niño pode voltar", observou. Ao divulgar as previsões para o outono feitas pelo Inmet, o presidente do Instituto, Augusto de Athayde disse que a chegada do outono, que começa 4h36min do dia 20 deste mês e acaba em 20 de junho, terá alguns efeitos sobre a agricultura. Safra - A safrinha de milho e de feijão, cujo plantio que deveria ter iniciado no final de janeiro e início de fevereiro e que atrasou, poderá ser prejudicada com a irregularidade das chuvas no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O gado poderá ser prejudicado pela "friagem" prevista para o Mato Grosso, sul de Goiás, Acre e Rondônia, uma vez que este fenômeno pode ocasionar redução de temperaturas em até 6 graus centígrados. Esta redução se deve a entrada de massas frias de origem polar no mês de junho. Apesar da possibilidade de geadas na região Sudeste, o efeito sobre as áreas produtoras de café ainda é imprevisível. Athayde explicou que o efeito das geadas sobre a cefeicultura só pode ser medido com três a quatro dias de antecedência. O chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Inmet, Expedito Rebello, explicou que atualmente, além da La Niña há o registro de grandes anomalias de temperaturas, tanto positivas como negativas em quase todo o sul do Oceano Pacífico Sul, que poderão influenciar o clima no Brasil nos próximos meses. Estas anomalias, que aconteceram pela última vez na década de 70, são decorrentes de oscilações naturais das águas do Pacífico, segundo ele. O Oceano Atlântico Sul está apresentando anomalias positivas de temperatura, enquanto no Atlântico Norte as temperaturas continuam abaixo da média. Este fator é favorável à ocorrência de chuvas no semi-árido da região Nordeste, possibilitando que o principal sistema meteorológico - a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) - permaneça mais ao sul, provocando chuvas acima de média na parte norte da região Nordeste. Previsão - Conforme o prognóstico do Inmet, o outono deste ano apresenta as seguintes características climáticas: Região Norte - redução das chuvas no Acre, Rondônia, Tocantins, sul do Amazonas e sul do Pará. Declínio de temperatura, com ocorrência de "friagens" na região; Região Nordeste - redução das chuvas no sul e no centro dos estados do Maranhão e Piauí, no sul e oeste da Bahia e início de chuvas na faixa leste da região. Declínio de temperatura nas áreas altas de Pernambuco, Paraíba e e sul e centro da Bahia. Na Região Centro-Oeste tem início o período seco da região, com redução das chuvas a partir de maio. Declínio de temperatura no sul e no centro dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ocorrência das primerias geadas no estado do Mato Grosso do Sul, a partir de maio; Região Sudeste - redução das chuvas em toda a região, com índices mínimos de precipitação registrados no norte de Minas Gerais. Declínio de temperatura, com ocorrência das primerias geadas nas áreas serranas e vales de São Paulo, sul de Minas Gerais e serra de Itatiaia, no Rio de Janeiro; Região Sul - declínio de temperaturas, com ocorrência de geadas. Possibilidade de registro de neve nas regiões serranas e planalto do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O presidente do Inmet observou que na previsão feita anteriormente, para o verão a média de acerto nas previsões feita pelo instituto foi de 86%.

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