Rio de Janeiro, 29 (AE) - A inflação entre os dias 20 de maio e 21 de junho foi de 0,36%, de acordo com o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). Com este índice, a previsão de inflação entre o início e o fim do mês passou de 0,50% para "em torno de 1%", nas projeções do chefe do Centro de Estudos de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota.
A variação registrada pelo IGPM foi resultado da alta do dólar neste mês, que manteve-se perto da cotação de R$ 1,80 (ontem fechou em R$ 1,77), e do clima frio, que afetou a oferta de produtos agrícolas. Com a menor oferta, a queda do preço destes produtos no atacado, que estava acelerada até maio, quando chegou a - 4%, ficou apenas em -0,17%.
Os dois fatores provocaram uma alta de 0,33% no Índice de Preços por Atacado (IPA), de maior peso no cálculo do IGPM. "O que estava puxando a deflação era o IPA", afirmou Cota, ao lembrar o resultado de -0,29% do IGPM no mês de junho - fortemente pressionado pela queda de 0,70% dos preços do atacado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), que também são usados no cálculo do IGPM, tiveram altas de 0,33% e 0,24%, respectivamente.
Tarifas - A inflação entre os dias 1º e 30 de junho, medida pelo Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI) da FGV-RJ, deve ficar por volta de 1% porque sofrerá maior influência dos reajustes das tarifas públicas, explicou o chefe do Centro de Estudos de Preços. Para julho, mês em que os preços dos produtos agrícolas vão continuar influenciados pela alta do dólar e o clima frio, o custo de vida pode chegar a 2%, previu Cota.
Se houver repasse da alta da gasolina para os preços, ele também será captado com maior força pelos índices de custo de vida de julho, afirmou o economista da FGV-RJ. No entanto, ele lembrou que a elevação do custo de vida não será uma tendência, porque será causada por aumentos pontuais. "Os preços agrícolas que sobem no inverno voltam a cair na primavera", citou como exemplo o economista. Diante disso, a FGV-RJ continua a manter sua previsão de inflação de 12% no ano, medida pelo IGPDI, e de 8% a 10%, segundo o IPC.

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