Previsão de alta do pedágio irrita líderes de entidades do PR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de novembro de 2001
Israel Reinstein<br>De Curitiba 
O anúncio de que o pedágio pode subir até 12% a partir de 1º de dezembro irritou representantes de entidades civis do Paraná. O contrato do governo do Estado com as concessionárias prevê reajuste da tarifa todo mês de dezembro. As empresas ainda dependem da divulgação de alguns índices para definir quanto vão pleitear de reajuste, mas já trabalham com perspectiva de um aumento médio de 10%.
Na avaliação da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Associação dos Usuários de Rodovias e a Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetranspar), o aumento previsto está fora da realidade de mercado e pode afetar a economia local.
Até agora, o governo não anunciou oficialmente em quanto vai aumentar a tarifa. Mas extra-oficialmente, o índice deve variar entre 9% e 12%.
De acordo com o presidente da Faep, Ágide Meneguette, os índices estabelecidos para a recomposição de preços não batem com os valores medidos da inflação. ''A nossa economia trabalha com uma inflação de 6% a 7%'', complementou o presidente da associação dos usuários, Paulo Muniz, que também preside a Associação dos Avicultores do Paraná (Avipar).
''O governo precisa sentar com os setores produtivos e conversar sobre novos critérios de cobrança do pedágio'', afirmou Nelson Costa, gerente-técnico da Ocepar. Ele defende que pequenos produtores e o setor agrícola tenham tarifas diferenciadas para poder competir no mercado. Hoje, conforme dados da Faep, o custo pedágio tira até 4% da receita do produtor paranaense.
''O impacto é grande, a ponto de produtores da região dos Campos Gerais optarem por escoar a sua safra pelo porto de Itajaí (SC) para não pagar pedágio'', afirmou. Meneguette disse que não há como repassar a alta da tarifa para o mercado. ''Os preços são fixos e internacionais, por isso quem absorve
o reajuste é o agricultor.''
Apesar dessa situação, o presidente da Fetranspar, Walmor Weiss, disse que o governo não tem mostrado interesse em discutir esses reajustes. ''Está faltando transparência na definição do aumento'', criticou. Mas o secretário de Transportes, Nelson Justus, informou, por meio de sua assessoria, que está aberto para ouvir essas entidades.
Mas, mesmo que se abra diálogo o governo não poderá alterar o reajuste sem anuência das concessionárias. O contrato não permite modificações sem acordo mútuo. E, de acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovia no Paraná, João Chiminazzo Neto, as empresas estão tendo ''fluxo de caixa contábil negativo'', que seria o pagamento dos financiamentos iniciais.
Pelo cronograma vigente, as empresas devem enviar uma carta solicitando o reajuste dentro de uma semana. Somente depois o governo vai se posicionar sobre o assunto.
No ano passado, a média de reajuste para veículos de passeio ficou em 16,46%, enquanto o aumento para caminhões chegou a 20,48%.


