Previda debate Marcha da Maconha
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Um dos debates que mais atraiu a atenção na abertura da Semana de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas (Previda), ontem em Curitiba, foi a Marcha da Maconha. O movimento pretendia defender a legalização do uso da droga em uma manifestação pública no início de maio, mas o protesto foi proibido pela Justiça a pedido do promotor Vani Antônio Bueno por fazer apologia ao crime.
''O problema é que, quando se diz abertamente que a maconha não faz mal, o que não é verdade, se está estimulando a população a consumi-la'', defende Bueno. O promotor foi um dos integrantes da mesa de debates e argumentou que o espaço adequado para discussões sobre a descriminalização da droga deve ser o ambiente acadêmico. ''Aqui é o lugar certo para o debate qualificado'', apontou.
Mauro Leno, da organização Plantando a Paz e um dos organizadores da Marcha em Curitiba, rebateu: ''O debate sobre a forma como lidamos com as drogas não pode ficar restrito a uma discussão acadêmica, tem que envolver toda a sociedade''. Leno também questionou a composição da mesa. ''Por que colocar dois membros do Judiciário sabidamente contrários à legalização quando há outros juristas que podiam trazer mais equilíbio ao debate?''
Para o secretário-executivo do Conselho Estadual Antidrogas, Jonatas Davis de Paula, a realização do debate sobre a marcha durante a Previda é um reconhecimento de que é importante discutir o tema. ''As pessoas devem poder expressar suas opiniões'', defendeu. No entanto, o secretário se declarou contrário à legalização da maconha. ''A sociedade brasileira não está madura o suficiente para discutir a liberação da cannabis uma vez que hoje não temos nem como tratar os usuários nem como prevenir o uso'', justificou.
A programação da semana segue até sexta-feira, dia 27, no auditório do Ministério Público, que fica na rua Marechal Hermes, 751. Os próximos debates terão como foco a nova legislação de entorpecentes do país. ''O foco da lei 11.343 é no indivíduo. Há uma diferenciação entre usuário e o traficante'', explica De Paula. ''O desafio é garantir a recuperação de quem procura tratamento'', afirma. Também está na programação a inauguração do Sistema Estadual Antidrogas e a formatura de 10 mil alunos do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).


