Rio, 19 (AE) - O custo de vida caiu entre os dias 21 de abril e 10 de maio, de acordo com a segunda prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), que registrou neste período deflação de -0,25%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que maio pode ter a primeira deflação após a desvalorização do real, em janeiro.
"As chances são grandes de um índice próximo de zero, com maior possibilidade de que seja negativo", afirmou Cota, ao lembrar que a primeira prévia do IGPM já havia registrado deflação de -0,05%. Segundo o economista, se houver o esperado retorno do crescimento econômica a partir do segundo semestre, nos últimos três meses do ano, devem ser registradas inflações de até 1%.
Isso não seria um motivo para o governo evitar a recuperação, afirmou o economista. "A deflação não é boa para país nenhum, o ideal são níveis baixos com crescimento econômico", argumentou.
Os preços dos produtos no atacado, que haviam forçado a alta da inflação no início do ano, foram os responsáveis pela deflação da segunda prévia, ao caírem 0,65%. A principal razão foi a queda de 3,15% dos preços dos produtos agrícolas.
A causa da retração foram o recuo do valor do dólar e a entrada das novas safras no mercado, além da época propícia para aumento da produção de legumes e frutas, cujos preços recuaram 9 58%.
Varejo - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve inflação de 0,27%, e o Índice Nacional de Custos de Construção (INCC), de 0,35%. Cota explicou que a inflação no varejo só deve cair após acabar a influência dos reajustes do vestuário, que tiveram alta de 4,60%, na segunda prévia do IGPM, e dos combustíveis e lubrificantes, que aumentaram 6,64%.
O impacto deste último item, atualmente, já foi absorvido no custo de vida, informou o economista. Mas as duas altas contiveram o impacto da deflação de 0,97% dos alimentos no Índice de Preços ao Consumidor.

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