Prévia do IGPM aponta deflação de 0,07% em junho
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Mônica Ciarelli (especial para AE) 
Rio, 9 (AE) - A primeira prévia de junho do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) registrou uma deflação de 0,07%. A taxa manteve a tendência de queda nos preços já verificada no mesmo período do mês passado, quando o índice apresentou deflação de 0,05%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota, avalia que a inflação vem sendo beneficiada pelo queda nos preços dos produtos agrícolas e pela desaceleração nos reajustes dos industrializados.
O economista destaca que o período de repasse para os preços dos aumentos provocados pela desvalorização cambial está chegando ao fim. Com isso, os aumentos nos preços dos produtos industrializados estão sendo cada vez menores.
Entretanto, Cota prevê uma ligeira alta da inflação decorrente do reajuste das tarifas públicas. A estimativa para junho é de que a taxa fique próxima a zero, já incluindo a previsão de alta de 0,25 ponto percentual decorrente do aumento na tarifa de energia elétrica. No ano, o IGPM já acumula uma alta de 7,82%.
Entre os itens que compõem o IGPM, o Índice de Preços por Atacado (IPA) caiu 0,27%, o Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,02% e o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) registrou uma alta de 0,73%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV explica que a desaceleração na trajetória de queda dos agrícolas vem sendo compensada em parte pela alta mais suave nos preços industrializados. Esse grupo subiu 0,25% na primeira prévia do IGPM, abaixo dos 0,34% verificados no mesmo período do mês passado. Já os agrícolas caíram 1,38%, contra uma deflação de 1 69% em maio.
Nos preços ao consumidor, a maior pressão veio dos artigos de vestuário, com alta de 2,04%. A expectativa de Cota é de que o item continue a pressionar a inflação este mês. Segundo ele, a taxa vai sofrer impacto também do reajuste das passagens aéreas e dos aumentos nos preços dos remédios e dos planos de saúde.
O economista explica que a alta de 0,73% verificada no INCC foi reflexo direto dos dissídios dos trabalhados na construção civil, principalmente em São Paulo. As despesas com mão-de-obra subiram 1,55% no período.


