Rio, 01 (AE) - A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, deve virar o jogo e colocar-se na posição de compradora das ações do Grupo Vicunha na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Segundo uma fonte ligada à Previ, a direção da fundação não está satisfeita com a forma como Benjamin Steinbruch está negociando suas ações.
As conversações diretas e isoladas que Steinbruch tem mantido com o Grupo Arbed, de Luxemburgo, poderiam resultar em uma mudança significativa no comando na CSN e, consequentemente, enfraquecer o poder da Previ na Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) - na qual a siderúrgica é uma das principais acionistas.
Por isso, o fundo de pensão, que administra recursos de R$ 27 bilhões, estaria disposto a "comprar o que Steinbruch quiser vender", segundo a fonte. Atualmente, a Previ possui cerca de 14% da CSN e o Grupo Vicunha, por meio da Textilia, 16%. A CSN é acionista da Companhia Vale do Rio Doce. Em contrapartida, a mineradora tem 10% da CSN. Além disso, Vale e Previ têm participações em outras companhias siderúrgicas.
Reestruturação - Na reestruturação desenhada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Steinbruch teria de optar entre Vale do Rio Doce e CSN. Mas o empresário já avisou que cogita todas as possibilidades: vender participação, comprar ações ou fundir a CSN e a Vale do Rio Doce.
No mercado, a aposta é de que Steinbruch não vai perder a Vale. Ele dividiria a participação na CSN em duas: na primeira
que poderia ser passada adiante, ficariam as operações siderúrgicas; na segunda, estariam as participações, incluindo a Vale.
Há dois meses, quando já havia rumores de negociação com a Arbed, Steinbruch tinha um plano entusiasmado para a Vale. A mineradora, com um caixa de cerca de R$ 1,8 bilhão, focaria sua atuação em mineração e logística. Os outros negócios, como alumínio, papel e celulose, seriam vendidos - valeriam entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões.
Dívidas - Uma parte seria usada para abater dívidas, e para a Vale iria R$ 1 bilhão. Com isso, a mineradora ficaria com R$ 2,8 bilhões no caixa e limpa de dívidas - já que, segundo ele
mineração e logística não são atividades endividadas.
No futuro, a Vale poderia comprar um ativo grande para tornar-se um player mundial. Os alvos seriam a australiana BHP e a inglesa RTZ, que têm ativos na Austrália.

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