Uma ladra silenciosa, que sem alarme rouba o cálcio dos ossos.
Assim pode ser entendida a osteoporose, doença que hoje já afeta
mais de 11 milhões de pessoas no Brasil, na sua maioria mulheres
que têm seus ossos enfraquecidos e cada vez mais propensos a
fraturas, lembrando a textura de uma fina casca de um ovo.
Para estimular a prevenção e reeducar as pessoas, a
Sociedade Brasileira de Reumatologia pretende fazer campanhas no
decorrer deste ano, em parceria com laboratórios e com a
Secretaria de Saúde. Para garantir ‘‘saúde’’ ao osso, o ideal é adotar uma dieta rica em cálcio, ingerindo de 1000 a 1500 miligramas diárias de leite
ou seus derivados.
O médico Sebastião Cezar Radominski, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia alerta que o pais podem colaborar também na preveção da doença.
‘‘Ao invés de dar uma Coca-Cola para seu filho beber, ofereça algo derivado do leite. Todos podemos nos prevenir desde cedo.’’
‘‘Em outubro vamos ter uma semana inteira sobre doenças reumáticas, além de uma campanha nacional, com aulas, palestras, caminhadas e atividades com grupos da terceira idade, em diversas cidades’’, informa Radominski.‘‘Uma
de nossas grandes preocupações são as consequências da doença:
as fraturas’’.
Confirmando o ditado que diz: ‘‘prevenir é o
melhor remédio’’, Radominski alerta para atitudes simples que
podem ajudar a manter a paciente cada vez mais longe da
osteoporose. ‘‘Costumamos dizer que ela é uma doença pediátrica,
ou seja, dá para estimular sua prevenção logo na primeira infância’’.
Segundo ele, estatísticas recentes revelam que 20% das mulheres
que necessitam de uma intervenção cirúrgica por fratura no fêmur
(quadril), em consequência da osteoporose, morrem após um ano.
Nesses casos, a cirurgia é necessária para a colocação de pino,
platina ou prótese. ‘‘Em geral, são pessoas idosas, que também
trazem outros problemas por causa da idade. Isso nos revela que
a doença também contribui para a redução da expectativa de
vida’’, explica.
Outro dado alarmante é que 50% das mulheres que sofrem esse tipo
de cirurgia perdem sua independência. Muitas delas passam a
ficar presas a uma cadeira de rodas, por exemplo. ‘‘Só um
pequeno grupo volta a ter uma vida normal’’, avisa Radominski.
Mas o preocupação não é só para os casos de fraturas de fêmur
associada à cirurgia. ‘‘Existem dados que nos revelam que está
aumentando progressivamente o número de fraturas em geral,
devido ao aumento da população idosa. Até 2025 é possível que
este número dobre, porque a idade das pessoas também vai dobrar
em consequência das medidas preventivas de outras doenças e dos
avanços da medicina.’’
Um dos medicamentos que vêm animando especialistas no mundo inteiro é o Actonel (risedronato sódico),comercializado aqui no Brasil desde o ano passado. Esse tipo de droga é a primeira que, além de evitar, possibilita a redução de fraturas. ‘‘Em 65% dos casos reduz a fratura após um ano de
tratamento. Outra vantagem é sua segurança para pessoas com
problema gastrointestinais. Como os tratamentos são a longo
prazo, o remédio tem que ser bem tolerado pelo paciente’’,
explica ele, referindo-se aos efeitos colaterais, comum à
maioria dos medicamentos que tratam da osteoporose.
Apesar dos tratamentos que ajudam a reduzir as fraturas,
Radominski destaca a estratégia da prevenção doença. ‘‘A osteoporose é mais comum na menopausa,quando as mulheres param de menstruar e consequentemente não produzem mais hormônios, deixando os ossos mais porosos. Isso
aumenta com a idade. O ideal é fazer uma reposição hormonal, mas
não são todas as mulheres que podem ingerir hormônios’’, alerta.
Mas só as mulheres na menopausa correm o risco de ter a doença?
A resposta é não. ‘‘Eventualmente, pacientes jovens também podem
apresentá-la, mas em geral é uma outra doença que a está levando
à osteoporose. Pessoas que usam cortisona em excesso também têm
chance de ter a doença. Já nos homens é mais raro e mais suave:
somente acima dos 65 anos.’’ Mulheres negras também levam
vantagem sobre as brancas e orientais. ‘‘As negras têm menos
tendência, pois são geneticamente mais protegidas’’, acrescenta.
Por se tratar de uma doença assintomática, a osteoporose não dá
nenhum sinal. ‘‘Não é como uma gripe, que você começa a ter
febre e dor no corpo antes que ela chegue. Nesse caso o paciente
só descobre que tem osteoporose quando sofre uma fratura em
decorrência de movimentos bastante simples, como abrir uma
janela, levantar uma sacola. Em 90% dos casos, esses pequenos
acidentes ocorrem dentro do domicílio da paciente, escorregando
num tapete, por exemplo. Como a estrutura do osso está
comprometida, ações mínimas podem levar à fratura.’’

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