Prevenção para doença da hemorroida
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quem tem a doença hemorroidária - popularmente conhecida como hemorroida - sofre com os sangramentos e incômodos característicos, e principalmente com a vergonha e o preconceito. Mas, procurar ajuda médica o quanto antes e investir na mudança de hábitos pode ser a melhor maneira de evitar que o caso se agrave e que seja necessária uma cirurgia. Hoje, atestam especialistas, este tipo de intervenção cirúrgica é uma das mais frequentes nos hospitais.
Hemorroida, na verdade, é algo que todo mundo tem - é o conjunto de vasos que fica na saída do intestino grosso e que faz parte do mecanismo de controle da exoneração das fezes. A patologia é a exteriorização desses vasos, parcial ou totalmente, e classificada segundo sua gravidade em estágios (veja quadro).
Segundo a enfermeira Rita Domansky, chefe da divisão de assistência à saúde da comunidade do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estatísticas epidemiológicas apontam que 4% a 5% da população é acometida pela doença.
Um dos sintomas mais comuns é o sangramento, que deve ser investigado por médico, pois pode indicar outras patologias. Pode ser uma fissura ou outra doença mais séria, como um tumor. Toda lesão no ânus deve ser tratada com especialista, ressalta a enfermeira. Outros sinais são o aparecimento de caroços na região e dor.
A doença tem várias causas. Um dos fatores que pode comprometer ou facilitar a exteriorização da hemorroida é hereditário. Outro é a constipação crônica. O esforço contínuo para evacuar, em que a pessoa senta e fica fazendo força, pode colaborar para doença, ressalta Rita.
Resolver a constipação crônica, atesta a enfermeira, passa pela mudança de hábitos. O principal é atender prontamente à vontade de evacuar. O intestino não entende a informação de que esta não é a hora ou o local adequado, e as fezes endurecem, pois quanto mais tempo ficam no intestino mais o órgão absorve água. A pessoa aprende que é feio e mal cheiroso e aí não consegue evacuar em um banheiro coletivo, por exemplo, ou diferente, mas, se o organismo pede é porque está pronto, afirma.
O que é normal, segundo a enfermeira, depende de cada organismo e não dá para padronizar a normalidade na evacuação diária. O intervalo pode ser de três dias a três vezes por dia. Não é a frequência que caracteriza a normalidade, mas as fezes macias e a ausência de dor e de esforço, explica.
Outra mudança que deve ser feita para corrigir a constipação crônica é colocar mais água e fibra na alimentação. A ingestão de fibra sem água não funciona, tem que ser o conjunto. A prática de atividade física regular também ajuda o intestino a funcionar melhor,
ensina Rita. Quanto à pimenta,
ela explica que o alimento não é o vilão popularmente conhecido como causa da doença hemorroidária. Não é a pimenta que causa, ou a mostarda, ou o molho pronto. Mas alimentos condimentados irritam a mucosa do intestino e há pessoas que são mais sensíveis. Quem já tem a doença deve evitar, afirma.


