Prevenção exige mudança de cultura
Curitiba - A professora Matilde Cominski, 57 anos, é exceção entre as pessoas acima de 50 anos. Apesar de casada há 37 anos, ela faz questão de usar preservativo nas relações sexuais com o marido. ''Prefiro me cuidar porque nunca se sabe quando o marido pode ter tido uma relação extraconjugal'', diz. Ela conta que teve que mudar uma cultura de anos, já que antes de se falar da Aids, ela não usava camisinha.
A preocupação de Matilde é mais do que correta. A exemplo do que ocorre em outras faixas etárias, a proporção entre mulheres e homens infectados também vem caindo acima dos 50 anos. Em 1994, por exemplo, para cada 10 homens infectados nesta idade havia apenas uma mulher. Hoje a proporção é de 2 a 3 para um. Uma das causas do aumento entre mulheres, segundo os especialistas, é a transmissão na relação conjugal, que é feita normalmente sem camisinha.
A micro-empresária Iolanda Gonçalves Rivera da Silva, 52 anos, há oito anos no segundo casamento, admite que não faz questão do preservativo, uma vez que o marido é evangélico e ela não acredita que tenha relações fora do casamento.
O professor Carlos Geiser, de 57 anos é casado há 31 anos. ''Eu não uso preservativo, mas também não tenho relação fora do casamento e espero que minha mulher também não'', brinca. Para o médico infectologista José Luiz Andrade Neto, para atingir o público acima de 50 anos são necessárias ações diferenciadas. ''Estas pessoas não viveram a era do medo da Aids. Quando começaram a vida sexual não usavam camisinha, e a mulher ainda tinha a pílula para se prevenir contra a gravidez'', diz.
O assessor de Planejamento e Avaliação do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Moisés Taglietta, o governo federal tem estimulado os estados e municípios a fazerem parcerias com entidades como o Sesc e Sesi, que já têm programas dirigidos à Terceira Idade, para desenvolverem juntos ações de prevenção.





