Especialistas alertam para a necessidade de maior prevenção da trombose venosa profunda (TVP), terceira doença cardiovascular mais frequente no mundo depois dos problemas de coração e do acidente vascular cerebral (AVC). A patologia ainda é pouco conhecida, mas a mortalidade é alta - 30% - nos casos não tratados. Como 80% deles são assintomáticos, é preciso investigar. ''A TVP é uma doença silenciosa e a prevenção é fundamental para evitar a embolia pulmonar, sua complicação mais grave e que pode levar à morte'', afirma o cirurgião Lars Borris, líder da Unidade de Pesquisa de Trauma do Hospital da Universidade de Aarhus na Dinamarca.
A doença se caracteriza, segundo o ortopedista Luiz Sérgio Marcelino Gomes, diretor científico da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), pela formação de um coágulo sanguíneo no interior de veias profundas, mais frequentemente na perna. Três situações, segundo ele, contribuem para essa formação - um trauma que leva a uma lesão na veia, aumento da viscosidade do sangue, e diminuição da velocidade de circulação, esta última frequente em pessoas com varizes acentuadas.
Isso acontece principalmente em casos de imobilização, seja pela conhecida 'síndrome da classe econômica', em que a pessoa fica horas viajando na mesma posição, ou por conta de cirurgias, internação ou fraturas. ''As cirurgias ortopédicas de grande porte, em idosos, como fratura de quadril e colocação de prótese de joelho, apresentam risco bastante elevado, entre 40% e 60% dos casos em que não se faz prevenção'', alerta. Idade, gravidez e parto também são fatores de risco.
Depois que o coágulo se forma, explica o médico, pode haver a sua dissolução sem que seja feito qualquer tratamento, mas também pode haver a formação de edemas e feridas por causa da circulação deficiente na região, situação chamada de síndrome pós-trombose. Ou pior, o coágulo pode se desgarrar da parede do vaso e ser levado pela corrente sanguínea - fenômeno chamado de embolia - até se alojar nos vasos do pulmão. Essa condição é chamada de tromboembolismo venoso (TEV) e leva à morte até 30% dos pacientes.
A trombose venose profunda também aumenta o risco de eventos cardiovasculares no primeiro ano da doença. ''Estudos comprovam que em comparação com as pessoas que nunca tiveram um coágulo, o risco de infarto do miocárdio aumenta em 60% e de derrame cerebral (AVC) em 119%'', alerta Gomes.
A incidência da TVP é de um caso para cada mil pessoas e a frequência da embolia pulmonar é de 60 a 70 casos para cada 100 mil. ''Estudos mostram que a TVP é responsável pela morte de 1 milhão de pessoas todos os anos no mundo'', aponta.
A prevenção pode ser feita com métodos mecânicos, como o uso de meias elásticas de compressão e uso de bombas de impulsão venosa, mas o principal, além da investigação dos fatores de risco, é a utilização de anticoagulantes, que vão levar à diminuição da fibrina no organismo, proteína que favorece a formação dos coágulos.

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