Prevenção da gripe A divide especialistas
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domingo, 16 de agosto de 2009
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Curitiba- É possível aumentar a resistência do organismo e, assim, combater a nova gripe? A resposta, pelo menos por enquanto, é controversa. ''Você pode manter uma alimentação saudável e se proteger da gripe tradicional, que ataca as pessoas debilitadas. Mas, segundo as observações clínicas, as vítimas da A são adultos jovens e aparentemente saudáveis, com imunidade normal'', diz a infectologista Maria Terezinha Carneiro Leão, do hospital Ecoville.
Segundo a médica, o novo vírus surpreende por sua facilidade de transmissão e grande capacidade de causar doenças. Diante disso, ela afirma que só há uma maneira totalmente eficiente de se prevenir contra a gripe A (H1N1): usar máscaras. ''Se as autoridades colocassem máscaras em todo mundo no Brasil, a gripe acabaria em 10 dias'', garante.
Isso porque o vírus não contamina todo o ambiente, mas sobrevive nas vias áreas superiores das pessoas. Ainda assim, a infectologista admite que se trata de uma solução hipotética e ideal, já que seria impossível controlar toda a população. ''Mas se você estiver apavorado, coloque a máscara. E faça uma boa higiene das mãos, além de evitar levá-las aos olhos, boca e nariz'', aconselha.
Já o médico nutrólogo Nataniel Viuniski afirma que qualquer tipo de gripe pode ser evitada com uma alimentação balanceada - inclusive a A. ''Estado nutricional é igual a estado imunológico'', define o membro da Associação Brasileira de Nutrologia.
Mas, ao contrário do que ensinam alguns e-mails que passaram a circular na internet, não existe este ou aquele alimento mais indicado. A receita, segundo ele, é fazer o sempre recomendado ''prato colorido''. ''Se você comer alimentos de várias cores, vai ter todas as vitaminas, antioxidantes e outros componentes capazes de proteger contra qualquer vírus'', diz.
De acordo com Viuniski, o grupo de risco da nova gripe é composto por bebês, idosos acima de 70 anos, indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares, grávidas no fim da gestação e os muito obesos. Quanto à inclusão dos ''adultos jovens'' nessa categoria, o médico é cauteloso. Na avaliação dele, o grande número de casos entre pessoas de 25 a 35 anos se deve ao seu maior grau de exposição.
''Elas vão pegar não só essa gripe, como qualquer outra, com mais facilidade. É o perfil de quem trabalha, circula pela cidade, viaja'', explica. E acrescenta, citando dados da Organização Mundial de Saúde: ''Mais de 99% desses infectados se recuperam em três ou quatro dias, em casa''.
Por essas e outras, Viuniski não vê motivo para pânico. ''A obesidade retira da face da Terra, todos os anos, o equivalente à população do Rio de Janeiro. E ninguém muda sua vida por causa disso. É claro que eu me preocupo com essa nova gripe, mas não vou deixar de fazer as minhas coisas, inclusive viajar'', conclui.
'Se todo mundo usasse máscaras a gripe acabaria em 10 dias''
''Estado nutricional é igual a estado imunológico''


