O governo federal lançou ontem a segunda semana nacional antidrogas. A estratégia do Palácio do Planalto é municipalizar as políticas de prevenção - intensificando o trabalho de orientação às famílias - atuando mais diretamente nas comunidades. A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) mandará, ainda nesta semana, uma carta convidando os 5.507 prefeitos do País a criar os conselhos municipais antidrogas, órgãos que serão os interlocutores de cada cidade na discussão do problema e na implantação das políticas de prevenção. Também serão relançados os concursos de vídeo e cartazes contra o uso de drogas, com o apoio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
‘‘A verdadeira guerra que se trava hoje em dia é contra as drogas’’, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, que qualificou o consumo de entorpecentes como a questão mais preocupante ao se pensar o futuro do País. O consumo de droga, segundo FHC, tem desagregado famílias e acirrado a violência nas grandes cidades. ‘‘Houve época em que se teve um medo horrível da crise econômica, da guerra; mas nada se compara ao problema da droga, a droga é o mal mais maléfico, pois não dá a sensação de perigo iminente, de que se precisa reagir.’’
Fernando Henrique voltou a cobrar maior mobilização da sociedade para que as políticas de combate ao tráfico tragam resultado. ‘‘Não basta um esforço isolado do governo, é preciso o esforço da sociedade’’, afirmou. Segundo ele, o trabalho de prevenção e combate ao narcotráfico é de longo prazo. ‘‘É um trabalho de formiguinha, no dia-a-dia, não é um trabalho espalhafatoso, que a cada instante possa provocar manchete.’’
O governo não vai repassar às prefeituras nenhum recurso específico para o trabalho de prevenção às drogas. ‘‘Não é necessário nenhum tostão para o prefeito organizar o Comad’’, disse o ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional e atual chefe da Senad, general Alberto Cardoso.
Segundo Cardoso, o País passa por uma crise de valores morais, em que conceitos éticos e filosóficos têm sido deixados de lado. ‘‘Os jovens estão entregues aos traficantes’’, afirmou. Segundo ele, o sucesso do trabalho preventivo pode reduzir a demanda por repressão ao consumo de drogas no futuro.
‘‘Nós queremos diminuir a demanda e o melhor caminho é a
família’’, justificou. Cardoso afirmou que o assédio de traficantes, em busca de mercado, já atinge crianças entre seis e oito anos de idade; o que exige atenção redobrada na prevenção.
Ele fez um balanço positivo das ações do governo no
combate ao narcotráfico, coordenadas pela Senad em conjunto com outros órgãos, como a Polícia Federal e as Forças Armadas. O lançamento da segunda semana nacional antidrogas teve a presença de vários ministros, embaixadores e atletas.

mockup