Curitiba Uma medida simples, como limpar o quintal e a casa, retirando entulhos e lixo que possam atrair ratos e insetos como baratas, ajuda a evitar acidentes com animais peçonhentos. Embora muita gente acredite que os moradores da zona rural são as principais vítimas desses bichos, a presença deles também é bastante registrada em áreas urbanas. ''A limpeza evita todo o tipo de animal peçonhento'', diz a chefe da Divisão de Zoonose e Intoxicação da Secretaria Estadual de Saúde, a bióloga Giselia Burigo Guimarães Rubio.
No ano passado, foram registrados 10.624 acidentes com animais peçonhentos no Paraná. Em 2003, ainda no Estado, o maior número de ocorrências foi registrado na população com idade entre 20 e 59 anos, sendo que a principal ''vilã'' é a aranha marrom. As aranhas provocaram metade desses registros: 5.304 (inclui aí ataques com outras espécies de aranhas). Esse tipo de acidente, se não for socorrido com rapidez, pode levar a vítima à morte ou causar graves sequelas.
Ete ano já foram observados no Paraná 7.095 acidentes com animais peçonhentos, que são aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ferrões ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Portanto, peçonhentos são os animais que injetam veneno com facilidade e de maneira ativa, como serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos e arraias. Já os animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (lonomia), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu).
A aranha marrom, encontrada principalmente na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), é a causadora do maior número de acidentes com animais peçonhentos no Paraná, seguida da serpente, aranha armadeira e escorpião. Como já causou mortes no Estado, os órgãos de Saúde também alertam para os acidentes com lonomia (conhecida como taturana, lagarta ou mandruva).
Giselia explica que quatro coisas atraem os peçonhentos para um local são os chamados ''quatro As'': acesso, abrigo, alimento e água. ''Se ele (animal) tiver tudo isso, não vai sair da casa'', avisa a bióloga. Por isso, a necessidade da faxina. A especialista explica que mesmo durante a limpeza, é preciso cuidado com acidentes e as pessoas não devem dispensar o uso de luvas e botas de borracha.
Dentro de casa, é preciso ficar atento com a aranha marrom, já que a espécie loxosceles intermedia, adaptou-se ao ambiente familiar e vive atrás dos guarda-roupas, em livros e porão. Giselia diz que à noite, elas saem para se alimentar e quando amanhece, se escondem em um local ''seguro'', como manga de camisa, boca de calça e dentro do sapato. ''É diferente das aranhas armadeiras, que ficam em folhagens, em madeira e se armam e pulam'', explica.
Mesmo as crianças menores não estão livres de levar uma picada da aranha marrom. No ano passado, foram registrados no Paraná 109 casos em bebês com menos de um ano. Em crianças com idade entre 1 a 4 anos, foram 529 casos.
Nas chácaras, jardins e bosques, atenção com a lonomia, que gosta de ficar em colônia, nos troncos de árvores. Segundo a bióloga, é comum acontecerem acidentes com crianças, que se machucam ao tentar subir nas árvores para apanhar frutas. O Paraná registrou nos últimos anos cinco acidentes com mortes envolvendo a lonomia, três em 1997; um em 1998 e um em 2004.

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