São Paulo, SP- O exame de PSA (antígeno específico da próstata), tido como a principal arma para a detecção precoce do câncer da próstata, deixa de detectar um quarto dos tumores malignos da glândula e, por isso, deve ser feito associado ao exame de toque retal.
  O alerta é de urologistas que vêem com preocupação os últimos estudos demonstrando a possibilidade de câncer até em homens em que o PSA apresenta índice inferior a 1 ng/ml (nanograma por mililitro). Valores até 4 ng/ml são tidos como dentro da faixa de normalidade.
  Um dos estudos mais abrangentes, publicado no mês passado no ‘‘New England Journal of Medicine’’, mostrou que 23% dos homens com PSA abaixo de 4 ng/ml estudados apresentavam o câncer. Pelo menos 5% deles tinham taxas entre 0,5 ng/ml e 1 ng/ml.
  O PSA é uma proteína produzida exclusivamente pela próstata e cuja presença aumenta nos casos de câncer. Cresce também em pacientes com infecção ou com crescimento benigno da glândula.
  A preocupação dos médicos é que muitos homens deixam de ir ao urologista, por medo ou preconceito do toque retal, e se apóiam no resultado do PSA. ‘‘É uma falsa sensação de proteção. Ainda mais agora que os valores de segurança do PSA estão sendo colocados em xeque’’, afirma o urologista Miguel Srougi, professor titular da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.
  Segundo ele, quando o PSA está elevado (acima de 4 ng/ml), está indicada a biopsia e, em geral, o diagnóstico de câncer é mais fácil, embora a técnica ainda falhe em 20% dos casos.
  Urologistas também se preocupam com o fato de médicos generalistas ou de outras especialidades indicarem o PSA, como parte do check-up dos pacientes, sem a associação ao exame de toque. As esperanças, diz ele, estão voltadas agora para uma nova proteína relacionada ao câncer de próstata que pode ser detectada por meio de um exame de urina.
  Em outubro, o Ministério da Saúde, com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realiza uma campanha nacional de esclarecimento sobre essa glândula e as doenças associadas a ela. A idéia é conscientizar os homens sobre a importância de visitar o urologista anualmente a partir dos 50 anos. Os que já têm história familiar de câncer da próstata devem iniciar a investigação a partir dos 40.

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