São Paulo, 01 (AE) - Pressionados pela opinião popular e pela direção estadual do partido, os vereadores do PTB reavaliaram suas posições e prometem defender a investigação das denúncias de corrupção nas administrações regionais também pela Câmara Municipal. Com essa decisão, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deve ser aprovada entre amanhã e quarta-feira pois, em tese, os partidos de oposição já têm mais do que o total de votos necessários - 28.
Ontem (28) a bancada do PMDB anunciou a decisão de votar pela criação da CPI - dos quatro vereadores só Lídia Corrêa havia votado a favor. Depois de uma reunião no fim de semana, Mílton Leite, Jooji Hato e Antônio Goulart mudaram de opinião e prometeram aprovar a investigação. Essa adesão já garantiria a aprovação da CPI, porque a oposição teria 27 votos e o presidente da Câmara, Armando Mellão (PPB), garantiu que dará o 28.º.
"Erramos" - O líder do PTB na Câmara, José Amorim, afirmou hoje de manhã que a tendência do partido era votar a favor da CPI . "Ficou claro que a população deseja a CPI", afirmou Amorim. "Nós erramos", admitiu o vereador Natalício Bezerra."Deveríamos ter aprovado a CPI já no primeiro requerimento apresentado, porque agora nossos eleitores estão nos cobrando", afirmou o vereador, também do PTB.
O outro petebista na Câmara, Luís Pachoal, disse que vai seguir a orientação do partido. O secretário-geral da Executiva Estadual do PTB, deputado estadual Campos Machado, enviou um ofício ao líder do partido na Câmara pedindo que os vereadores votem a favor da CPI.
Essa mesma cobrança ocorreu com a bancada municipal do PMDB. "Eles levaram uma dura", informou o presidente do diretório municipal, João Oswaldo Leiva. De acordo com ele, o partido recebeu muitas cartas e telefonemas reclamando da atitude dos vereadores Mílton Leite, Antônio Goulart e Jooji Hato.
Requerimento - O PT e o PSDB devem apresentar amanhã (02) novo requerimento de instauração de CPI. Nesse requerimento
o objeto da investigação deve incluir não só o setor de fiscalização das administrações regionais, mas também as diretorias de uso e ocupação do solo. Uma dúvida que deve ser resolvida é se a CPI será formada por cinco, sete ou nove membros. A Lei Orgânica do Município estabelece que o mínimo é de cinco integrantes e o máximo, nove.
"Temos de definir ainda essa questão", afirmou hoje a líder do PT na Câmara, Aldaíza Sposati. Ela explicou que, como a iniciativa foi de um vereador do PT, a tendência natural é requerer a presidência para o partido, mas o responsável pelo novo pedido ainda não foi definido.
A intenção é que essa decisão seja tomada por consenso com todas as bancadas que assinarem o requerimento. "A expectativa é de que a presidência seja uma deliberação de todas as bancadas que assinarem o requerimento", disse Aldaíza. O PT e o PSDB estão atentos às novas adesões, mas querem garantir o apoio de governistas tradicionais - como Miguel Colasuonno e Salim Curiati Jr., ambos do PPB, que votaram pela CPI.
Estratégia - A oposição teme que os governistas, diante da pressão popular, apresentem uma proposta própria de CPI e tentem convencer situacionistas dissidentes. Essa tese começou a ser discutida na semana passada, apenas para dar uma satisfação à opinião pública.
Os governistas estudavam a possibilidade de aprovar uma CPI, mas com alguém na presidência que seja "controlável". O vereador Mílton Leite, do PMDB, disse ser contra o vereador José Eduardo Martins Cardozo na presidência. A vereadora Maria Helena (PL) disse que vota a favor de qualquer CPI, "menos do PT".
Hanna Garib (PPB), que teve o sigilo bancário quebrado e está sendo investigado pela política, disse hoje que votará a favor de qualquer CPI. Na semana passada, ele faltou à sessão e ajudou, indiretamente, a impedir a proposta de investigação parlamentar.

mockup