Pressionado, Bezerra anuncia voto contra Pitta
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Flávio Mello e Marcus Lopes 
São Paulo, 11 (AE) - Pressionado pelo partido a definir uma posição, o vereador Natalício Bezerra (PTB) comprometeu-se a votar a favor do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN). Se ele mantiver sua posição, o destino de Pitta na Câmara estará selado: quatro dos sete membros da comissão especial que analisa o pedido de impeachment votarão favoravelmente à continuidade do processo.
Além de Bezerra, estão a favor da abertura de uma comissão processante Arselino Tatto (PT), Gilson Barreto (PSDB) e Carmino Pepe (PL). As declarações contraditórias de Bezerra provocaram confusão durante todo o dia, na Câmara. Em uma entrevista concedida à Rádio Eldorado, pela manhã, o vereador deu a entender que votaria contra o impeachment alegando que o vice-prefeito, Régis de Oliveira (PTN), tinha prejudicado os taxistas da cidade ao defender os perueiros. Presidente do Sindicato dos Taxistas, o vereador quis empurrar para sua base de apoio a responsabilidade de decidir o futuro de Pitta no Palácio das Indústrias.
À tarde, na Câmara, Bezerra reiterou sua posição. "A voz do povo é a voz de Deus", afirmou, antes da reunião da comissão especial que analisa o parecer da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil. "Só vou ter uma posição definida após consultar minha assessoria jurídica e minha base", completou. Na mesma entrevista, Bezerra afirmou que não seguiria as ordens do seu partido, que já havia se posicionado favorável à abertura de uma comissão processante contra o prefeito.
"Sou um soldado do partido e não empregado do partido." Ele lembrou que durante todo o dia estaria fazendo uma pesquisa informal no sindicato para saber a opinião da categoria que o elegeu, e que estava sendo muito pressionado nos últimos dias. "Me deixaram com uma bomba na mão."
Logo depois da entrevista concedida à rádio Eldorado, Bezerra foi procurado pelo secretário do PTB, o deputado estadual Campos Machado. "Eu acredito que ele cumprirá a determinação do partido, mas se não estiver à vontade para isso então o líder da bancada indicará outro parlamentar em seu lugar", afirmou Machado. Depois da manifestação direta de Machado, a bancada do PTB reuniu-se e, antes de levar adiante a troca do vereador, decidiu tentar convencê-lo a declarar voto favorável ao impeachment.
"O voto dele será de acordo com a decisão do partido", resumiu Amorim, irritado com as declarações contraditórias do seu colega de legenda. No meio da reunião da comissão especial, Bezerra foi retirado por Bruno Feder (PTB) para uma reunião com todos os integrantes da legenda, a portas fechadas.
Às 15h30, a imprensa foi convocada para uma entrevista coletiva no gabinete de Feder, em que a posição do partido ficou definida. Coincidência ou não, Bezera afirmou que, minutos antes
havia terminado a pesquisa no Sindicato dos Taxistas e que 90% dos 3.600 entrevistados foram favoráveis ao impeachment de Pitta. "Seguindo minha categoria e minha consciência, vou votar pela abertura da comissão processante", disse Bezerra.
O presidente da comissão especial que analisa o impeachment, Wadih Mutran (PPB), disse que o partido não deveria opinar na posição dos membros da comissão. "Acho uma injustiça a pessoa ter de votar de acordo com a posição de sua bancada", disse Mutran. Antes da formação da comissão especial, o PPB já havia liberado os membros do partido a votar, de forma individual, o pedido de processo de impeachment do prefeito.


