Pressão no mercado cambial leva BC a vender dólares
São Paulo, 25 (AE) - O Banco Central entrou hoje no mercado de câmbio para conter a valorização do dólar, quando a moeda norteamericana atingiu R$ 1,76 no decorrer do dia. O impacto da intervenção se refletiu não apenas no mercado à vista
mas também nos contratos futuros de dólar negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), que vinham acompanhando o "spot" na alta das cotações.
Aos acontecimentos da última semana que levaram à alta do dólar - perspectiva de alta dos juros norteamericanos, queda da Bolsa de Nova York e a Argentina - somaram-se hoje novas informações sobre o caso do "grampo do BNDES", segundo denúncias publicadas na imprensa.
Segundo operadores, tais fatos levam os investidores a comprar mais dólares para manter em carteira ou apostar mais no mercado futuro, antecipando-se a um movimento de alta de preços. Mesmo com a intervenção do BC, o dólar fechou em alta de 0,58%, cotado a R$ 1,7350. A máxima do dia atingiu R$ 1,759, representando uma alta de 1,97% em relação ao fechamento da véspera.
Bolsa - A pressão atingiu também as bolsas de valores. A de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 4,95%, e a do Rio, em baixa de 4,29%. Com a queda do Ibovespa, a perda acumulada está em 9,59% em apenas dois pregões. Das 57 ações que compõem o índice da carteira teórica paulista, nenhuma fechou em alta.
A sucessão de fatos desfavoráveis ao governo, tanto internos como externos, é considerada preocupante pelos operadores do mercado de ações.
E os títulos da dívida externa brasileira também acusaram o golpe. Os C-Bonds atingiram uma cotação mínima de 60 50 centavos de dólar, chegando a cair 1,42%. Porém, no fim do dia, compras especulativas levaram os C-Bonds a 61,875 centavos de dólar, alta de 0,81% em relação ao fechamento da véspera.
Segundo operadores, o movimento no mercado de títulos da dívida foi fortemente dominado pelos investidores especulativos de grande porte, principalmente os bancos de investimento norteamericanos.





