Brasília, 12 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse hoje à AGÊNCIA ESTADO que as pressões que a Argentina vem sofrendo nos últimos dias, acentuadas ao longo do dia de hoje, não levarão a uma crise econômica naquele País. Segundo ele, o nervosismo do mercado financeiro brasileiro foi gerado pelos problemas na Argentina.
"A pressão que existe hoje sobre o mercado argentino pode até durar mais algum tempo, mas não acabará num problema maior para a Argentina", afirmou o diretor do BC. Figueiredo disse que essa pressão ocorre em grande parte em função das próximas eleições presidenciais naquele país.
Ele lembrou que hoje o mercado abriu o dia mais calmo, porém, com as pressões na Argentina, ficou nervoso ao longo do dia. "A pressão não tem uma lógica interna."
Para Figueiredo, a declaração do candidato do partido justicialista (do presidente Carlos Menem), Eduardo Duhalde, publicada no jornal El Clarín - de que pedirá ao papa João Paulo II a suspensão "por um ano" dos pagamentos da dívida externa para os países com problemas econômicos, "como a Argentina" - é muito mais política do que vinculada à realidade do país.
Figueiredo afirmou ainda que "é normal" que o mercado tenha receios em relação ao Brasil quando um país vizinho tem algum tipo de problema. "Mas isso não quer dizer que tenhamos um problema, pelo contrário, o Brasil está avançando e deve continuar avançando, saneando suas contas internas através do ajuste fiscal", justificou.
Leilões - O diretor do BC comentou também as altas taxas pedidas pelos investidores no último leilão de títulos do Tesouro Nacional. Disse que o mercado não está pedindo prêmio maior para comprar títulos públicos "porque quer", mas sim porque se tornou mais conservador em suas expectativas, devido a vários fatores, entre eles: as pressões na Argentina; o soluço na inflação; o recesso do Congresso e a possibilidade de reforma ministerial.
Figueiredo destacou que é preciso ter "uma visão de processo" em relação ao alongamento da dívida pública. "A intenção do governo é continuar alongando esse prazo, mas não é intenção do BC nem do Tesouro forçar o investidor a comprar um título que o mercado não quer." Ele disse que esse processo será gradual e lento.

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