Pressão internacional é ‘saída’
A maneira mais eficaz de fazer o governo brasileiro tomar providências para proteger a Amazônia e as comunidades indígenas passa pela intensificação das campanhas de mobilização da opinião pública internacional, incluindo outdoors nas grandes cidades do Hemisfério Norte e ‘‘spots’’ publicitários no rádio e TV. Essa é a conclusão a que chegaram os dirigentes das organizações ambientais no colóquio ‘‘Amazônia um desafio planetário – destruição ou proteção?’’, pelo quinto centenário da descoberta do Brasil, ontem, em Paris.
O consenso dos ecologistas europeus é de que as autoridades brasileiras são ‘‘muito sensíveis à opinião pública internacional e poderão reagir positivamente se os apelos forem massificados’’. Em sua comunicação, o antropólogo Patrick Menget, presidente da Survival International/França, depois de relatar a instabilidade permanente vivida pelas tribos amazônicas entre as invasões de suas reservas pelos garimpeiros e a ameaça permanente de intervenção das Forças Armadas, lamentou que ‘‘a situação seja agravada pela atitude do Estado brasileiro, desengajando-se de suas responsabilidades na matéria’’.
‘‘Como nas áreas da educação e saúde, o Estado abandona progressivamente suas obrigações em relação às comunidades indígenas em via desaparecimento por causa das epidemias, má nutrição e violências diversas’’, disse Menget, sugerindo o recrudescimento das campanhas populares no Hemisfério Norte em favor da Amazônia e dos primeiros habitantes do Brasil. ‘‘Só assim é que se conseguirá colocar as autoridades brasileiras diante de suas responsabilidades.’’
Lembrando que essas ‘‘tentativas salutares de ingerência’’ (internacional) nos assuntos da Amazônia não apresentaram ainda resultados substanciais, o pesquisador François Terrasson, do Museu de História Natural de Paris, propôs o lançamento de uma campanha publicitária no rádio e televisão, por meio de outodoors, além da multiplicação de petições públicas às autoridades brasileiras.‘‘A Amazônia é um problema geopolítico que interessa o planeta inteiro. Só o poder da opinião pública internacional mobilizada fará com que o Estado brasileiro retome seus deveres na proteção da floresta e das comunidades indígenas’’, justificou. (A.E.)

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