Pressão externa não trará mudanças, dizem bancos
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quinta-feira, 14 de outubro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 15 (AE) - Apesar da tensão do mercado doméstico, a partir da forte queda da Bolsa de Nova York e receio de uma nova alta dos juros e da inflação nos Estados Unidos, economistas do Lloyds Bank e do BankBoston não vêem riscos de que o cenário externo produza mudanças na política econômica. Ambos, inclusive, acreditam que ainda há espaço para, ao menos, mais uma queda da taxa Selic em 1999.
"Sem o agravamento da crise lá fora, o que eu não acredito que aconteça, a atual política pode continuar", disse Júlio Ziegelmann, economista do BankBoston. De acordo com ele, mesmo a possibilidade de uma alta dos juros americanos, que é mais provável a cada dia, já estaria assimilada pelo mercado. "Atrapalha, mas não inviabiliza."
Segundo Adauto Lima, economista do Lloyds Bank, o relatório de inflação, divulgado pelo Banco Central, mostra que o governo trabalha com a perspectiva de uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. Assim, o novo alerta na noite de ontem do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, não seria uma surpresa. "Continuamos com espaço para uma queda dos juros."
No cenário traçado pelo Lloyds, não há risco para uma deterioração do cenário internacional, apesar do nervosismo do mercado financeiro internacional. Lima aposta na capacidade de gerenciamento de Greenspan. "Apesar do estresse, a tendência é de acomodação", disse.
Tanto o Lloyds como o BankBoston não vêem chance de uma alta explosiva do câmbio nos próximos dias. O dólar continuaria pressionado até o final do ano, em função das obrigações já assumidas. "Apesar de toda a tensão de hoje, o mercado de câmbio reagiu de forma tranquila. Não houve uma pressão forte", afirmou Lima, do Lloyds. "Hoje, não houve pânico nenhum", emendou Ziegelman, do BankBoston.


