São Paulo, 1 (AE) - O País poderá ter uma séria perda de recursos, já que o Banco Mundial, por meio de seu braço financeiro, International Finance Corporated (IFC), e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ameaçam não liberar mais recursos para os consórcios privados que administram rodovias, porque o governo está mexendo nas tarifas dos pedágios, desrespeitando contratos. O IFC não dará a parcela de US$ 6 milhões de um empréstimo da Nova Dutra, que chegaria agora em setembro.
O BID já trata com dificuldades o empréstimo de US$ 300 milhões para a concessionária que administra as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que ligam São Paulo ao interior. Essas informações foram confirmadas pelo presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, Moacyr Duarte, e pelo especialista em concessões Amim Farid Safatle.
Safatle lembrou que "o País não terá recursos suficientes para atender as necessidades de melhoria das rodovias e até construção de novas estradas, se não respeitar os contratos já assinados de concessões". Esses contratos não podem ficar "ao bel prazer dos políticos".
Duarte lembrou que o recém-lançado Plano Plurianual (PPA) tem na sua parte de investimentos referentes a rodovias grande parte dos recursos criados pela iniciativa privada. "Do jeito que vai, os recursos serão bem reduzidos."
Safatle lembrou que algumas das grandes concessionárias, por causa dessa movimentação dos políticos que não respeitam contratos, estão reduzindo seus investimentos ao mínimo necessário. "O Banco Mundial, através do IFC ou mesmo o BID, têm como garantia para empréstimos, a receita que as concessionárias tem com os pedágios. Como há corte nas tarifas de pedágios, a garantia de empréstimos acaba-se perdendo", disse.
Duarte chegou a lembrar que o setor em 98 conseguiu arrecadar cerca de R$ 900 milhões, mas investiu US$ 2 bilhões. "A Nova Dutra, por exemplo, aplicou cerca de US$ 400 milhões", explicou. A realidade é que começam as dispensas de trabalhadores nessas concessionárias, diante da redução das tarifas e do futuro incerto que se está criando, advertiu Safatle.

mockup