O ministro da Justiça, José Gregori, ordenou ontem ‘‘que se proceda imediatamente a demarcação’’ das terras dos índios caiapós, que mantêm 16 pescadores como reféns desde a sexta-feira passada.
De acordo com fontes da Fundação Nacional do Índio (Funai), a ameaça dos índios caiapós de queimar os reféns mantidos na reserva de Terra do Baú, no Pará, acelerou a decisão do ministro.
Um representante da Funai já comunicou aos índios que será demarcada ‘‘uma área aproximada de 1,85 milhão de hectares, com um perímetro de 770 km, tal e como foi medida no ano de 1991’’.
Apesar da Funai já ter delimitado as terras dos caiapós, o processo de demarcação foi interrompido por problemas com os fazendeiros da região. ‘‘Esta situação é muito ruim para os índios e eu sou um índio. Todo mundo sabe que nos últimos 500 anos sofremos todo tipo de agressões. Os brancos não sabem respeitar as terras indígenas’’, declarou o cacique Megaron. Ele assegurou que os índios não querem matar ninguém, apenas negociar.
Um grupo de 16 pescadores entrou ‘‘por engano’’ na reserva dos caiapós e foi sequestrado pelos índios, cansados de defender-se há anos das invasões de garimpeiros, pescadores e curiosos.

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