Pressão da dívida dificulta crescimento sustentado, diz Gianetti
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Alcides Ferreira 
Itaparica (BA), 21 (AE) - O economista Eduardo Gianetti da Fonseca, professor da USP disse hoje que "o mundo deu uma trégua" para o Brasil. Mas, advertiu, se o País não "fizer seu dever de casa", vai enfrentar novas crises. Ele participa de um seminário sobre Previdência, promovido pelo Unibanco Asset Management.
Segundo o economista, o Brasil terá dificuldades de obter um crescimento sustentado em sua economia devido basicamente a três fatores. O primeiro se refere ainda ao constrangimento externo. Ele lembrou que o déficit em conta corrente mudou de composição após a desvalorização cambial. Agora, o déficit não está mais financiando o consumo, mas, em grande parte deve-se ao pagamento do serviço do endividamento feito por empresas. Este novo componente do déficit responderá menos à elevação de taxas de juros, caso a situação externa volte a se a gravar.
O segundo fator limitador do crescimento é falta de infraestrutura. E o terceiro é uma inconsistência entre a aspiração do País de ter um crescimento de longo prazo e suas fontes de financiamento, que são de curto prazo. "Nós não temos instrumentos para financiar o crescimento de longo prazo", disse.
As duas únicas alternativas a essas fontes de financiamento são ou gerar mais inflação ou tomar empréstimos no exterior. Desta forma, todas as vezes em que o País começa a crescer ou sofre uma crise inflacionaria ou uma crise de balanço de pagamentos.


