Pressão alta atinge 12% das crianças
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domingo, 02 de maio de 2010
Folhapress 
Pressão alta não é uma exclusividade dos adultos. Pelo contrário. Segundo Sandra Henrique, cardiologista pediátrica da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a maioria dos doentes deve ter tido alterações na pressão arterial durante a infância, mesmo sem saber disso.
''No adulto o diagnóstico é mais fácil, pois a aferição da pressão sempre é feita durante o exame clínico. Nas crianças, embora ela seja indicada em todas as consultas para pacientes a partir dos três anos, os pediatras ainda hoje não costumam avaliar a pressão'', diz a médica.
Segundo a cardiologista, a hipertensão infantil tem se tornado cada vez mais incidente, devido principalmente ao estilo de vida das crianças: com alimentação inadequada, consumo de comidas de fast food em excesso e sedentarismo. ''Hoje, entre 12% e 13% das crianças acaba sofrendo de pressão alta'', afirma. Em 55% dos casos, diz Sandra, há histórico familiar do problema. Ou seja: pais, tios ou avós também sofrem de hipertensão.
A detecção precoce fica ainda mais difícil porque o problema não costuma apresentar nenhum sintoma. Por isso, a médica afirma que, hoje, o mais importante é a prevenção, possível quando a pressão alta é causada por fatores ambientais (especialmente quando há casos da doença na família, o que aumenta as chances da criança vir a ser hipertensa).
''É preciso combater a obesidade infantil (uma das causas mais associadas à hipertensão nessa faixa etária) e estimular hábitos alimentares saudáveis, como consumo de vegetais, além de evitar o consumo de sódio (presente no sal e em refrigerantes, por exemplo) e incentivar a prática de exercícios, já que hoje as crianças ficam muito na frente do computador e do videogame.''
Cardiopatias
A hipertensão pode ser causada por outras doenças, como cardiopatias e doenças renais. Nesse caso, não há como evitar o problema. O tratamento é feito com o combate à doença de base o que, consequentemente, deve estabilizar a pressão.
Já quando a hipertensão é consequência de má alimentação ou sedentarismo, a primeira medida costuma ser mudar essa situação. ''No caso das crianças, evitamos usar medicamentos, apesar de eles poderem ser indicados. O ideal é identificar a causa e reverter o quadro'', diz a cardiologista Sandra Henrique.
Segundo a médica, o ideal é manter a criança saudável, ''para que ela se torne um adulto saudável.''


