Presos usam tesouras para se rebelar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
As reivindicações de dois presos da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) causaram grande transtorno dentro da unidade prisional ontem. De acordo com o diretor da PEM, Eduardo Krevieski, os dois detentos participavam de uma oficina de reforma de livros e aproveitaram as tesouras que são utilizadas na atividade para render o agente penitenciário que monitorava o grupo de 20 homens e fazê-lo refém. Outros dois presos também foram feitos reféns. Essa situação aconteceu por volta das 10h30. Para liberar os reféns, os dois rebelados exigiram a presença do juiz da Vara de Execuções Penais Alexandre Kozechen, que chegou à PEM junto da promotora Valéria Seyr por volta das 15 horas.
De acordo com o oficial de comunicação social do 4º Batalhão de Polícia Militar, tenente Alexandro Gomes, com a chegada do juiz os reféns foram soltos e os presos passaram a fazer suas reivindicações a Kozechen. Gomes garantiu que os reféns não sofreram ferimentos, porém o agente penitenciário deixou a PEM dentro de uma viatura do Siate. ''Ele estava abalado emocionalmente'', justificou o tenente.
Ainda segundo o policial, os presos que se rebelaram são oriundos da cidade de Barbosa Ferraz (Noroeste). ''Um deles tem mais de 30 anos de condenação por latrocínio, roubo, furto e porte de arma, o segundo está condenado a 25 anos de reclusão por furtos e homicídio'', informou Gomes.
Por volta das 16 horas a situação foi dada como resolvida e o juiz deixou a penitenciária. Ele falou de forma muito rápida com a imprensa e foi evasivo nas poucas respostas que deu. ''Eles me pediram transferência'', resumiu.
Mais atencioso, Krevieski explicou que o pedido de transferência é para a cidade de Campo Grande-MS, onde os presos teriam parentes. Ele não soube explicar se o pedido seria específico para a Penitenciária Federal que funciona naquela cidade. O diretor disse não considerar o ato como uma rebelião. ''Não perdemos o controle da unidade em nenhum momento''.
As oficinas de reformas de livro devem continuar. A PEM foi inaugurada em 1996 e trabalha na sua capacidade máxima de 360 detentos.


