Presos tomam dois reféns para garantir transferência em SP
São Paulo, 08 (AE) - Dois detentos da Casa de Detenção de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, um deles condenado por assalto seguido de morte, fizeram dois funcionários reféns na tarde de hoje e obrigaram a direção do presídio a levá-los em uma ambulância para a Penitenciária do Estado, no complexo do Carandiru, na zona norte da cidade.A ambulância, dirigida por um agente penitenciário, foi escoltada por policiais militares nos 25 quilômetros de Parelheiros até o Carandiru e parou no pátio interno da penitenciária ao lado dos jardins.
Policiais militares do batalhão do presídio, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e dos bombeiros cercaram a ambulância, assim que ela parou. Os presos trancados na ambulância com os reféns ao perceberem o aparato policial resolveram que não queriam mais ficar na penitenciária. "Queremos ir para a Casa de Detenção de São Vicente", gritou um deles. Disseram que matariam os funcionários se não fossem atendidos.
O secretário da Administração Penitenciária, João Benedito de Azevedo Marques, disse que a atitude da direção do presídio de Parelheiros em concordar com a transferência na ambulância foi para preservar a vida dos funcionários. Segundo Azevedo Marques, os detentos alegaram que estavam sendo ameaçados de morte por outros presos e, por isso, queriam a transferência.
O diretor concordou com os detentos, pensou que iriam libertar os reféns e, por isso, adiantou o secretário, se apressou em conseguir um veículo, preferindo não esperar por um carro usado para a escolta de presos. Os dois detentos, assim que viram a ambulância, decidiram levar os funcionários. O secretário disse que os presos serão mandados para a Casa de Custódia de Taubaté, o presídio mais seguro do Estado.
Cadeião - Os 300 presos do Cadeião 4 de Pinheiros rebelaram-se na madrugada de hoje, depois de tentativa de fuga frustrada. Fizeram dois carcereiros reféns e, com duas armas e estiletes, ameaçaram matá-los. Para dominar os carcereiros, um dos detentos simulou um desmaio. Os demais passaram a gritar que responsabilizariam os carcereiros se o companheiro morresse.
Assim que o portão de acesso às celas foi aberto, os dois carcereiros foram dominados. Alguns presos foram para a ala do "seguro", onde pretendiam matar dois detentos de uma quadrilha rival. Os demais seguiram na direção do portão do pátio. Os presos do "seguro" pularam de uma altura de 10 metros e ficaram feridos. Os delegados responsáveis pelo presídio administrado pela Secretaria da Segurança Pública passaram a negociar a liberação dos carcereiros e o fim da rebelião.
Quase nove horas após o início da rebelião, os presos soltaram os reféns e entregaram as armas, sob a promessa de que não haveria represália por parte dos funcionários. O carcereiro Mauro Dias contou a seus superiores, na saída do Cadeião, que, de madrugada, detentos ameaçaram matá-lo.





