Telma Elorza
De Londrina
A Polícia Civil deve apresentar hoje, às 10 horas, na 10ª Subdivisão Policial de Londrina, dois suspeitos de envolvimento com a quadrilha que roubou cerca de R$ 4 milhões da Proforte Transportes de Valores. Para entrar na empresa, os assaltantes sequestraram três funcionários da empresa e seus familiares no último sábado. Os dois suspeitos, Osvaldo Cestário e seu filho Valdemar Cestário, foram presos ainda no sábado, por volta das 11 horas, depois que a polícia descobriu o local onde os reféns foram mantidos em cativeiro. O local, um barracão dentro da empresa Torino Diesel, localizada na PR-445, no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), pertence aos suspeitos.
Segundo o delegado-adjunto Acácio de Azevedo, a polícia chegou até os Cestário depois de várias diligências. ‘‘Eles teriam cedido o barracão para manter as famílias sequestradas, enquanto os ladrões levavam os funcionários até a Proforte’’, disse. De acordo com o delegado, as vítimas foram levadas até a Torino Diesel e teriam reconhecido o local do cativeiro. ‘‘Além disto, eles (os ladrões) deixaram no local várias fotos Polaroids, onde aparecem vários móveis que estavam no lugar’’, explicou.
De acordo com informações colhidas na 10ª SDP, funcionários da Torino declararam em depoimento que Osvaldo Cestário tinha dado ordens para que o barracão fosse limpo na manhã de sábado, com todos os móveis retirados do local. Pai e filho se negaram a prestar depoimento, reservando-se o direito de só fazê-lo em juízo. Eles se encontram detidos na Prisão Provisória de Londrina.
Acácio de Azevedo disse que a polícia já tem os nomes de outros suspeitos de envolvimento no crime, mas que não serão divulgados para não atrapalhar as investigações. ‘‘Só posso dizer que eles eram muito organizados mas acreditamos que podemos pegá-los’’, afirmou.
O assalto à Proforte começou na sexta à noite e só terminou por volta das 8 horas de sábado. Cerca de 15 homens, fortemente armados e munido de celulares, renderam as famílias de três funcionários da transportadora e as levaram para o cativeiro onde passaram a noite. Somente na manhã de sábado, parte da quadrilha saiu do cativeiro e, levando apenas os três funcionários, foram até a empresa onde pegaram os malotes, armas e a fita de vídeo da câmera de segurança. Eles fugiram em seguida numa caminhonete S10, com placas de São Paulo, um Santana com placas de Campo Mourão e dois carros de funcionários. As famílias dos três funcionários foram liberadas por volta das 8 horas na estrada Marana, em Cambé, onde a S10 e o Santana também foram abandonados.
A Torino Diesel já foi palco de ação policial. Em setembro de 1997, a polícia de Cambé encontrou na empresa parte de carga de caminhões que teriam sido assaltados na região. Em um depósito foram encontradas - escondidas sobre lonas - grandes quantidades de caixas com material de pesca, elásticos, bobinas de papel, caixões de defunto e chuveiros elétricos. Na época, a polícia autuou em flagrante um dos proprietários da empresa, Valdir Cestário.

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