Presos suspeitos de fraude no caso Morro do Boi
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Fábio Galão <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A equipe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Curitiba cumpriu ontem sete mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão na chamada Operação Posseidon, deflagrada na Capital e nos municípios litorâneos de Matinhos e Paranaguá. Os detidos são suspeitos de praticar crimes com o objetivo de inocentar Juarez Ferreira Pinto, preso e condenado pela Justiça no conhecido caso do ''Crime do Morro do Boi''.
O crime ocorreu em Matinhos, em 31 de janeiro de 2009, e consistiu de latrocínio (roubo seguido de morte) contra o estudante Osíris Del Corso e de tentativa de latrocínio e atentado violento ao pudor contra a namorada do jovem, Monik Pergorari Lima, que ficou paraplégica.
Foram presos na operação quatro policiais militares, o policial civil aposentado Altair Ferreira Pinto, conhecido como Taíco e irmão de Juarez, e um delegado da Polícia Civil que participou das investigações na época. Também foi cumprido mandado de prisão temporária de um homem, de apelido Gaivota, que já estava detido desde o ano passado por tráfico de drogas. Um oitavo suspeito, outro policial militar, estava sendo procurado até o final da tarde de ontem. De acordo com o Ministério Público (MP), o grupo é suspeito de formação de quadrilha, tortura e denunciação caluniosa.
''As investigações começaram logo depois da prisão de Paulo Delci Unfried (em junho de 2009), a quem se tentou imputar crimes como roubos, estupros e o próprio Crime do Morro do Boi. Eles (os suspeitos presos ontem) se mobilizaram para que o Paulo fosse acusado e condenado, e o Juarez, inocentado. Torturaram o Paulo psicologicamente para que ele assumisse o crime'', disse Leonir Batisti, coordenador estadual dos Gaecos.
De acordo com o MP, o grupo executou um plano para que Paulo Unfried fosse preso portando a arma usada no crime. Batisti explicou que isso foi possível porque um dos suspeitos, o homem preso por tráfico, teria levado a arma efetivamente utilizada no crime. Além disso, o grupo teria tentado manipular notícias em veículos de comunicação para que fosse colocado em dúvida o reconhecimento que Monik fez de Juarez como autor do crime. A FOLHA não conseguiu ontem contato com o advogado de Taíco.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que a Operação Posseidon teve apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar. A Sesp apontou que o inquérito a ser finalizado pelo MP será remetido às corregedorias para que procedimentos administrativos ou penais contra os policiais sejam instaurados.


