Presos suspeitos da morte de líder sem-terra
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segunda-feira, 31 de março de 2008
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prendeu ontem cinco pessoas suspeitas de terem participado do assassinato do integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Eli Dallemole, de 42 anos. Eli foi morto na noite de domingo, dentro da casa onde morava com a mulher e três filhos, no assentamento Libertação Camponesa, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). O assassinato ocorreu por volta das 19h30. Dois homens encapuzados invadiram a casa e executaram o líder sem-terra na frente da família.
''Ele já sofria ameaças de morte há dois anos, quando tentaram matá-lo da mesma forma, atirando para dentro da casa onde ele morava com a família. Desde o último dia 8, ele voltou a receber telefonemas anônimos quase que diários e era avisado por terceiros que poderia aparecer morto'', relatou José Damasceno, um dos coordenadores do MST do Paraná.
Eli Dallemole era um dos diretores do MST e coordenava o acampamento Terra Livre, na fazenda Copramil, em Ortigueira, que foi desocupada por um grupo de milícias armadas no último dia 8. ''Eles chegaram de madrugada e tiraram as 33 famílias de sem-terra que estavam no local. A desocupação foi com muita violência'', apontou o promotor Rodrigo Leite Ferreira Cabral, que pediu a prisão preventiva de todos os supostos envolvidos na ação de despejo. Sete tinham sido presos na semana passada. Outros cinco foram presos ontem pela manhã. ''Fizemos tudo dentro do prazo e programamos as prisões para hoje (ontem) de manhã. Todos estão presos. Alguns em flagrante por porte irregular de armas. Infelizmente não tínhamos como prever a tragédia com um dia de diferença da nossa operação'', ponderou Cabral.
Entre os presos ontem estão: Genivaldo Carlos de Freitas, José Moacyr Cordeiro, Odenir José de Souza Matos, Valdenir Aparecido Ortiz (apontados como integrantes da milícia armada) e o proprietário da fazenda Copramil Adilson Honório de Carvalho, 35 anos, (que presidente do Sindicato dos Comerciantes em Cornélio Procópio). Todos negam participação na desocupação e na morte do sem-terra.
''Tínhamos clareza que a morte era encomendada. Já sabíamos que as ameaças eram promovidas por fazendeiros. O que queremos agora é Justiça'', disse Damasceno, em entrevista à FOLHA. Durante todo o dia de ontem, policiais do Cope ficaram em Ortigueira para ouvir os depoimentos dos presos.
Além de envolvimento com a morte do trabalhador rural, os detidos são também acusados pela polícia de envolvimento na tentativa de expulsão dos acampados na fazenda Copramil, no dia 8 de março. Naquele dia, foram queimados vários barracos do acampamento, dentro da fazenda Copramil.


