SÃO PAULO - A rebelião de presos da Cadeia de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, terminou às 15h30 de ontem, após quase 52 duas horas de tensão. Os últimos oito reféns, entre eles duas crianças, foram libertados após a transferência de dez detentos para Suzano e outros dez para a Casa de Detenção de São Paulo. ‘‘Os reféns não estão feridos, mas foram levados ao pronto-socorro para um exame geral’’, explicou o delegado do Garra e do Grupo Especial de Resgare (GER), Osvaldo Gonçalves. Assustadas, as crianças choravam enquanto eram colocadas nos carros da polícia.
Também foram levados para o serviço de atendimento médico 12 presos que passaram mal ou foram feridos pelos próprios companheiros. ‘‘Alguns foram mutilados e pelo menos um deles teve a orelha decepada’’, disse o delegado Gonçalves. O que mais chamou a atenção dos policiais, acostumados a manter negociações durante rebeliões, foi a permanência de crianças em poder dos rebelados durante tanto tempo. ‘‘Para que a rebelião terminasse, precisamos jogar pesado, dizer que não haveria mais visita de crianças em todo o sistema penitenciário’’, contou o delegado Antônio de Olin, que acompanhou as negociações desde domingo.
Segundo ele, o clima entre os presidiários era de grande tensão. ‘‘Eles não estavam cedendo em nada e já não tinham mais o que pedir’’. Os policiais apreenderam uma pistola 7.65 e um revólver calibre 38 que estavam em poder dos amotinados, além de facas, estiletes e outros objetos cortantes. ‘‘Vamos abrir sindicância e instaurar inquérito para apurar, tanto as circunstâncias dos homicídios e agressões, quanto para saber como as armas entraram no prédio’’, assegurou o delegado de Ferraz de Vasconcelos, Pedro Henrique de Oliveira.
Ao ser transferido, um dos presos disse que o objetivo do movimento, acabar com as alas e privilégios, havia sido atingido. Durante a remoção dos detentos, houve um início de tumulto. Antes da saída de cada grupo, um policial anunciava que eles estavam saindo gritando: ‘‘Lá vem as feras’’.
Durante a remoção e, principalmente na saída dos reféns, alguns fotógrafos de jornais e cinegrafistas de televisão avançaram a faixa de isolamento. Policiais do GER gritaram e ameaçaram empurrar os jornalistas. Mais tarde, o delegado Gonçalves desculpou-se com os profissionais da imprensa pelo comportamento de alguns policiais.
A população de presos da cadeia de Ferraz de Vasconcelos é heterogênea. ‘‘Temos todo tipo de gente e todo tipo de crime por aqui’’, disse o delegado-titular Pedro Henrique de Oliveira. A maioria, segundo ele, é acusada por homicídio ou tráfico de drogas. De acordo com o delegado, há detentos não só da região mas também de São Paulo e do litoral. ‘‘Cerca de 80% ainda não foram julgados e grande parte é reincidente’’, informou o delegado.

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