Presos se rebelam, tomam 6 reféns e denunciam tortura
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Odair StraliottiNegociaçãoLíderes da rebelião discutem com juíza através de grade da carceragem; tortura de preso teria sido estopim do movimento 0s 70 presos que cumprem pena ou aguardam julgamento no minipresídio de Apucarana iniciaram uma rebelião ontem, às 16h30. Os investigadores Cláudio Fernandes, José Petri Peninha, Saulo Faccini Faxinal e os PMs Antenor, Jordão e Gebaldo foram surpreendidos e tomados como reféns, quando os presos retornavam do solário para as celas.
Armados de facas e estoques, os presos ocuparam os corredores do presídio e exigiram a presença de um juiz corregedor, de representantes do Ministério Público e da imprensa.
Poucos minutos após o início da rebelião, todo o presídio estava cercado por cerca de 40 policiais militares e 15 civis. O Corpo de Bombeiros também foi chamado para isolar a frente do prédio, utilizando cordas e impedindo a aproximação de familiares dos reféns e dos detentos. A partir das primeiras notícias da rebelião, às 17 horas, familiares dos presos começaram a se aglomerar em frente ao minipresídio.
Uma hora depois de iniciada a rebelião, a juíza corregedora Elisiane Minasse, que está substituindo o juíz Carlos Maurício Ferreira, já estava no presídio para conversar com uma comissão de seis presos, através de uma grade que dá acesso ao portão de saída do presídio. A negociação prosseguiu durante a noite de ontem, acompanhada por autoridades civis e militares.
O estopim da rebelião teria sido um incidente ocorrido na madrugada de anteontem. Segundo eles, o preso José Padilha de Souza, 39 anos, preso por homicídio, foi retirado do presídio e levado para o pau-de-arara (método de tortura) na delegacia. Depois, teria sido obrigado a assinar um documento. O preso mostrou à juíza os sinais de tortura. Por volta das 19h30, o preso Padilha foi retirado da carceragem para receber atendimento médico no Hospital da Providência.
Desde o início da negociação, representantes dos rebelados anunciaram que não tinham intenção de fuga. Eles aproveitaram a presença das autoridades para confirmar todas as denúncias feitas, nesta semana, através de cartas de seus familiares ao Comando do Policiamento de Interior (CPI), da Polícia Militar, e ao comando do 10º BPM.
Eles denunciaram arbitrariedades, maus tratos e tortura de outros presos. Também reclamaram da constantes falta de água no presídio, da qualidade da alimentação, do reduzido tempo de exposição ao sol e das visitas de familiares.
Os presos também reclamam da morosidade na tramitação de processos na justiça. Muitos deles garantem que já poderiam ter ganho o benefício da prisão semi-aberta. Porém, continuam encarcerados. Alguns também reivindicaram transferência para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEM).
O investigador Cláudio Fernandes se tornou refém em seu primeiro dia de trabalho. O sargento Antenor, por sua vez, tinha acabado de assumir a função de chefe da guarda do presídio.
Afastamento O comandante do 10º BPM, coronel Arlindo Marques Pereira Filho, já tinha determinado, anteontem, o afastamento do sargento Mauro Moraes Veiga, que há 4 anos exercia a função de chefe da guarda do minipresídio. No documento, o sargento Veiga é acusado de cometer uma série arbitrariedades e maltratar detentos. Talvez o rigor no cumprimento do horário de visitas tenha irritado familiares de presos, afirmou o sargento afastado.


