Presos se rebelam em cadeia superlotada
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Tiros e muita gritaria quebraram a rotina dos vizinhos da Delegacia de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, no final da manhã de ontem. Parte dos 131 presos, que dividiam oito celas, começou um tumulto, segundo a polícia, por rivalidade entre eles. Familiares dos detentos, que aguardavam notícias do lado de fora, afirmaram que a rebelião foi motivada pela superlotação na carceragem. As celas têm capacidade para 40 presos. A informação oficial é de que apenas dois internos ficaram feridos.
Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o princípio de rebelião foi controlado em pouco tempo e com o uso, inclusive, de bombas de efeito moral. A ação rápida do reforço policial não evitou, no entanto, que os presos destruíssem parte elétrica, hidráulica e as grades de quatro celas. Fizeram parte da ação a Companhia de Choque da Polícia Militar, juntamente com policiais de Araucária, Fazenda Rio Grande e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
O tumulto começou pouco antes do meio-dia e terminou por volta das 13 horas. A mulher de um dos presos, que preferiu não se identificar, contou que esteve na delegacia momentos antes e estava tudo calmo. Quando já voltava para casa, viu a movimentação de viaturas e resolveu retornar à delegacia. ''O Batalhão de Choque entrou atirando e os presos gritavam, pedindo ajuda. Eles devem estar todos machucados lá dentro'', disse. A jovem só saiu de lá por volta das 17 horas, quando um investigador da delegacia assegurou que ninguém havia se ferido com gravidade.
Depois que o tumulto foi controlado, os presos foram levados para o solário para contagem e revista. De acordo com a secretaria, como medida emergencial, 75 detentos começariam a ser transferidos ainda ontem. O Centro de Triagem 2, em Piraquara, receberia 23 deles e outros 52 seriam levados para outras delegacias da região metropolitana. A reforma na delegacia deve começar hoje.


