Rio, 07 (AE) - Os 76 presos da 19ª Delegacia Policial (Tijuca), na zona norte do Rio, se rebelaram nesta madrugada e tomaram um carcereiro como refém. O movimento terminou no fim da manhã, sem feridos. Os presos reivindicavam a transferência para presídios e 66 foram levados, em um ônibus da Polícia Militar, para Divisão de Capturas da Polícia (Polinter), na zona portuária. Os demais permanecem na 19ª DP por terem sido presos em flagrante e aguardam conclusão de inquérito.
O motim começou na madrugada, quando os presos dominaram o carceiro, César Ramo, e terminou após uma hora e meia de negociação com a polícia . A área da delegacia foi cercada por 60 policiais militares e unidades da Polícia Civil, entre elas o Esquadrão Anti-Bomba. Não houve troca de tiros e ninguém ficou ferido.
A capacidade da delegacia é para 200 presos. Em novembro do ano passado, pelo menos 140 detentos foram levados para a Polinter, também depois de uma rebelião. Na época, havia mais de 220 homens na carceragem. Mesmo dominado pelos presos, o carcereiro responderá a uma sindicância interna. Segundo o coordenador das delegacias da capital, delegado Mário Ribeiro, ao ser atraído pelos presos Ramos foi negligente ao entrar na carceragem com a arma na cintura, que ficou em poder dos rebelados. "Todo preso é perigoso e os policiais não podem relaxar na segurança" , advertiu Azevedo. "Foi negligência do carcereiro."
O movimento foi anunciado por volta das 10h30, quando os rebelados mandaram um preso-faxina ir até o setor de plantão avisar o que estava acontecendo. Em seguida, eles colocaram fogo em pedaços de papéis e papelões. Os bombeiros foram chamados e apagaram o princípio de incêndio.
Segundo Azevedo, a carceragem não será desativada, já que a delegacia concentra presos de outras unidades, e deverá receber novos detentos nos próximos dias.