Uma tentativa de fuga deu início ontem a uma nova rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Até o fechamento desta edição, 1.500 presos amotinados matinham pelo menos 26 agentes penitenciários como reféns. Informações extra-oficiais davam conta que os detentos estavam armados com cinco pistolas e seis revólveres. A Polícia Militar mobilizou cerca de 300 homens e cercou o presídio.
De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários, os líderes do motim seriam oito presidiários que estavam na Prisão Provisória de Curitiba –mais conhecido como Ahú–, e foram transferidos para a PCE na última sexta-feira. José Márcio Felício, que responde pelo apelido de Geléia, responsável pelo sequestro da filha do prefeito de Taubaté (SP), era quem estava no comando dos amotinados.
Segundo informações do sindicato, eles pertencem ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que há três meses comandou rebeliões simultâneas em todo o Estado de São Paulo. A principal reivindicação é a remoção para outros presídios. A Secretaria de Segurança solicitou por volta das 21h30 uma lista com o nome dos detentos que querem transferência. As negociações, entretanto, só ocorrerão hoje, depois de o governo avaliar se há vagas em outros presídios.
A rebelião teve início por volta das 17h50, quando um grupo de internos tentava deixar o presídio dentro de um caminhão que entrou no presídio para abastecer a cantina. A tentativa de fuga foi contida, mas irritados os presos começaram a rebelião.
Equipes da Polícia Militar cercaram toda a área da penitenciária. Perto das 20 horas os detentos colocaram fogo na área de serviço. Um caminhão do Corpo de Bombeiros entrou na penitenciária mas não teve muito trabalho. O fogo foi dissipado com uma pancada de chuva que caiu no momento. Alertados pelos próprios internos, no início da noite familiares chegavam em frente à PCE. Os detentos atearam fogo novamente perto das 22 horas, deixando o clima mais tenso. ‘‘Falei com meu marido pela manhã e ele já tinha me avisado que algo iria acontecer’’, declarou Liliane Aparecida Cardoso, 26 anos, mulher do presidiário João Pedro Cardoso, condenado por roubo e sequestro e que ontem estava no motim.
Sandra Márcia Duarte, do Sindicato dos Agentes Penitenciários, disse que a rebelião já estava prevista e que o governo já havia sido alertado dessa possibilidade. De acordo com a sindicalistas, ‘‘não é mais negligência, é conivência’’. Segundo Márcia, a rebelião começou quando os agentes tentavam recolher os detentos às suas celas. Todos os 1,5 mil internos estavam fora de suas celas e ocupavam uma mesma área comum.
As negociações, conduzidas pelo diretor da PCE, Luiz Carlos Couto, estão sendo feitas através de radiocomunicação. Os aparelhos foram tomados dos agentes que foram feitos reféns. Couto não estava na penitenciária quando estourou a rebelião.
No ano passado a PCE passou por duas rebeliões. A primeira foi em julho e a outra em outubro. O último começou no dia 8 e só terminou dia 13 de outubro, com a transferência de 16 presos para penitenciárias do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

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