Presos se rebelam e destroem cadeia de Araçatuba
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Antônio José do Carmo, especial para a AE 
Araçatuba, SP, 30 (AE) - Os 65 presos da Cadeia Pública de Araçatuba, interior de São Paulo, se rebelaram durante a madrugada de hoje e destruíram o prédio, já condenado por perícia técnica. . Os detentos arrancaram as grades das celas e só não fugiram porque um pelotão de Choque da Polícia Militar está de plantão na frente do prédio. Os rebelados reclamam da superlotação do local. Quatorze presos já condenados foram tansferidos, hoje, para as cadeias de Valparaíso e Mirandópolis.
De acordo com o delegado Paulo César Cacciatori, os rebelados estão transitando livremente pelos corredores, sendo que apenas "uma única grade já abalada" os mantém do lado de dentro do presídio. "A qualquer momento eles poderão sair pela rua", disse. Na rebelião anterior, ocorrida em fevereiro, os presos destruíram uma das duas alas da cadeia. Por causa dos estragos, os detentos foram transferidos para a outra unidade que, em pouco tempo, estava superlotada. Para o delegado a única solução será a interdição total do prédio construído na década de 30. Há cerca de 30 dias foi remetido, ao Tribunal de Justiça de São Paulo, um pedido de lacração da cadeia. A decisão depende do TJ. Vizinhos - A cadeia de Araçatuba fica no centro da cidade e faz fundos com várias residências, hotéis e casas de comércio. Está a menos de 30 metros da Câmara Municipal. Na madrugada de hoje, muita gente não dormiu. Os presos gritavam e batiam nas paredes. Maria Josefa Junqueira, que mora próximo ao local há mais de 30 anos é uma da líderes de um abaixo assinado que coletou 6 mil assinaturas denunciando as fugas constantes e solicitando que o governo construa uma nova cadeia em local mais afastado.


