Curitiba - Daqui a cerca de oito meses, o interno da Colônia Penal Agrícola, Valdenir Farias dos Santos, 31 anos, pode ganhar a liberdade. Para encurtar esse prazo, ele e outros 24 detentos estão trabalhando na roçada e limpeza de valetas das margens da PR-417, conhecida como Rodovia da Uva, no Contorno Norte, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. A cada três dias trabalhados, eles reduzem um dia da pena.
O uso da mão-de-obra de internos do Sistema Penitenciário do Paraná é resultado de convênio entre a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). É uma das iniciativas do governo e que faz parte do processo de ressocialização dos presos. Outros trechos de rodovias estaduais também integram o convênio, que envolverá, ao todo, 100 presidiários.
Preso por assalto, Valdenir dos Santos já passou dois anos e oito meses na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), unidade de regime fechado, e está há cinco meses na Colônia Penal Agrícola. Por enquanto, apenas os internos dessa unidade de regime semi-aberto estão sendo selecionados para o trabalho externo. Para ele, o fato de se ocupar ajuda a passar o tempo e a refletir melhor no que quer para sua vida daqui para frente. Além disso, o pecúlio de R$ 195,00 ajudará no sustento da mulher, que trabalha na lavoura, e dos dois filhos. ''Se Deus quiser vou ajudar ela (sic)'', disse.
Marcos Paulo Ferreira Penasso, 30 anos, tem a mesma expectativa: conseguir a remissão da pena de seis anos e dois meses e poder ajudar seus pais. Ele já cumpriu dois anos na PEP e está há sete meses na Colônia Penal Agrícola, onde também já realizou trabalhos na horta da unidade.
O vice-coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), coronel Honório Olavo Bortolini, explicou que a seleção dos presos leva em conta o comportamento e o relacionamento familiar. ''O objetivo é dar ao preso condições de trabalho e estudo para que, ao cumprir sua pena, ele possa se reinserir na sociedade'', destacou.
Mais de 3 mil presos condenados e outros 232 provisórios (de um total de aproximadamente 8 mil) trabalham nos canteiros de 17 unidades prisionais do Estado. Entre as atividades desenvolvidas estão a confecção de bolas, móveis, calçados, roupas, manilhas etc..
Ontem, o Patronato Penitenciário do Paraná realizou a formatura de 31 egressos do sistema prisional. Eles participaram de cursos profissionalizantes de caldeiraria e tubulação e pintura industrial. Neste ano, 250 presos beneficiados com penas alternativas e liberdade provisória participaram de cursos oferecidos pelo Patronato.

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