Presos são transferidos no Noroeste
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Lucinéia Parra 
Os 35 trabalhadores sem-terra que estavam presos na cadeia de Paranavaí foram transferidos na noite de anteontem, com o objetivo de impedir um protesto que estava sendo organizado pelo MST. O protesto seria realizado ontem de manhã, em frente a delegacia. Os organizadores queriam ainda montar acampamento com as famílias dos presos em frente a delegacia, protestando também contra a operação da Polícia Militar de desocupação das fazendas invadidas em Querência do Norte e municípios vizinhos.
De acordo com o delegado chefe da delegacia de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, a transferência ocorreu para acalmar os ânimos dos demais detentos, que reclamavam dos privilégios dos sem-terra. Os outros presos começaram a se revoltar porque os sem-terra estão sempre recebendo visitadas de deputados, advogados e representantes do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, explicou Canhoto.
A Folha apurou que a transferência teve como principal objetivo inviabilizar o protesto dos sem-terra. Sem nenhum sem-terra na cadeia por que os sem-terra iriam protestar?, disse um policial. Conforme informações obtidas pela Folha, o protesto iria reunir cerca de 350 trabalhadores sem-terra, que estariam sendo incitados por Diolina dos Santos - mulher do líder do MST, José Rainha - a invadir a delegacia. Lideranças do movimento disseram que os sem-terra não seriam loucos de invadir delegacia. Os presos, conforme a Folha apurou, teriam sido transferidos para Umuarama, Cianorte e Cidade Gaúcha.
Cândido O secretário de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira disse em Maringá que os sem-terra solicitaram a transferência. Foram eles que pediram. As celas estavam muito cheias, com um número excessivo de presos e condições inadequadas. Por isso determinei a dispersão deles por outras delegacias, explicou Oliveira. Ele não soube precisar para quais delegacias os sem-terra foram transferidos.
Segundo ele, não houve violência policial contra os sem-terra desalojados. Conversei com eles deste terça-feira última em Querência do Norte, Loanda e Santa Isabel, falei com as famílias e com os presos e realmente constatei que não houve violência. (Colaborou Marccio W. Varella)


