Presos são transferidos após encerrar motim
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Guarapuava A mais longa das 21 rebeliões ocorridas este ano no Paraná terminou ontem, às 10 horas, na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG). Aos gritos de "acabou", os rebelados desceram do telhado e liberaram os reféns que ainda estavam na prisão: dez agentes penitenciários e seis presos.
A Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) agilizou a transferência de 28 presos de outras cidades para pôr fim ao motim que já passava das 46 horas. A maioria dos presos foi encaminhada para o Complexo Penal de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, outros foram removidos para Francisco Beltrão e Cruzeiro do Oeste. Dois deles foram levados para uma penitenciária em Santa Catarina.
Durante uma entrevista coletiva, que ocorreu às 14 horas, na sede do 16º Batalhão da Polícia Militar, em Guarapuava, o secretário estadual de Segurança Pública, Leon Grupenmacher, informou que apesar das agressões, nenhum agente ou preso ficou em estado grave. Ele prometeu empenho em responsabilizar os cerca de 40 detentos que tomaram frente da rebelião. "Não são cenas normais, nem de pessoas normais. Os crimes não ficarão impunes como ocorria antes", garantiu. A troca do comando da unidade, reivindicada pelos rebelados, foi descartada pela Seju.
O delegado titular do Cope, Luiz Alberto Cartaxo, informou que os presos devem responder por tortura, tentativa de homicídio, sequestro ou cárcere privado, motim e dano ao patrimônio público. O subcomandante geral da Polícia Militar, coronel Péricles de Matos, destacou que a tecnologia empregada, como os caminhões com plataformas elevadas de monitoramento e os dois drones, vai facilitar a identificação dos envolvidos. "É um legado da Copa do Mundo que vai auxiliar as investigações, que já começaram no primeiro dia."
A juíza da Vara de Execuções Penais (VEP) de Guarapuava, Patrícia Roque Carbonieri, e a promotora de Justiça, Márcia Francine Broiette, defenderam que o sistema penitenciário deve ser repensado. "As unidades prisionais estão carentes de investimentos e de uma política prisional eficiente", cobrou a promotora. Ela contou que desde 2011, quando a PIG passou a receber presos de outras cidades, o modelo padrão deixou de existir. "Preso não quer estar longe da família. Quando isso acontece, ele reage de forma violenta." Ela criticou o modelo atual da Central de Vagas. Nenhum membro da Seju participou da coletiva de imprensa.
De acordo com a vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Petruska Sviercoski, nos últimos quatro anos, a PIG perdeu cerca de 30 agentes. Atualmente a PIG tem 90 agentes para vigiar os 240 detentos.


